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allan de lana

terça-feira, setembro 30, 2003

Seguindo a tradição da apresentação, tão boa quanto comer doces em dia de São Cosme e Damião (de maneira amigável, gustativa, poética, mas não religiosa - que heresia!), apresento aqui aos poucos que passam e passarão, como apresentei vocês que hoje aqui estão, todos reunidos pela palavra e conexão. Antes que isso vire repente e rime como manda a norma, eis o Matias, colega de curso e em toda extensão, que vai expor finalmente, e ser "você" na galeria da UnB:
Eu, Você, Nós.
Exposição de Matias, Mariana e Kamir, na galeria da UnB (406 Norte), a partir do dia 03/10 às 20h (quando acontece a abertura).
Pelo que eu acompanhei, vai valer à pena.

sábado, setembro 27, 2003

Dia de Cosme e Damião:
gostosa é a Maria
em boa e mole tradição.

quinta-feira, setembro 11, 2003

Tu
Pã.

segunda-feira, setembro 08, 2003

011
Rir é bom
e comprovo rindo.

Antes que o rio seque
rio
ato de esperança.

sexta-feira, setembro 05, 2003

conto006
Eu via. Aquele ouvia. Catatônico. Eu via catatônico, mas figurado, aquele que ouvia, denotônico. A maior denotação da vida é não conotar nada.
Tinha um homem vestido de preto, imóvel. Ele olhava para a parede como se não a visse somente branca, nem somente plana. Ouvia de forma que parecia se concentrar, todo, inclusive o tato, naquele ruído: um som que eu não escutava.

Enquanto eu descrevia tal cena para mim mesmo e formava imagens mentais com as palavras, usando-o copiado e inacessível; para ele, nada de imagens, nada demonstrava. Um furo parecia amarrar o sentido pleno de sua mente revirada do avesso. Teve acesso, talvez, a si mesmo, sem precisar de espelho. Sem conotação nenhuma.

Impossível contar essa história. A história do furo mesmo, porque o acesso a si não compatibiliza com histórias. O acesso a si mesmo (o único acesso realmente possível) é a ausência, não com relação a uma casa ou a uma cidade: ausência e ponto. De maneira que, para quem lê, que o faz por meio de imagens e de conceitos em cascata, o que se pode dizer é: ausência tão pura que é ausência da própria... ausência (e palavra).

O acesso a si é tão íntimo que nem sequer toca na consciência, pois a consciência é imagem, idéia, construção. Nem em estado inconsciente se encontra, esse estado foi atravessado. O acesso de que falo parece um rombo em uma tela preta, pelo qual uma luz branca intensa penetra. Pareça, talvez, com a morte: ausência.

Inarrável, mas de repente ele foi puxado por uma palavra obscura, passando por sentidos, e jogado na minha frente vertido em duplo: para isso serviram-lhe os furos externos do corpo original. Desapareceu, transparecendo antes, como holograma some. Vindo-de-si, feito linguagem humana antropomórfica, levantou meio sujo. O chão estava sujo. Depois daquela experiência, parecia o humano (o “Outro”), novamente um duplo, inacessível, como eu. Semelhante, diferente, catatônico outra vez...

quinta-feira, setembro 04, 2003

Pessoas dizem para você: as relações de produção o controlam, forme-se para o mercado. Você faz Artes Plásticas e tem algo que chamam de "Utopias", o que você diz?
.Ok, me entrego, você estabelece o que é e o que não é utópico, chefe!
.Vamos todos para um psicólogo, eu sou louco, você é retardado.
.Nada, fica perplexo para ter tempo de pensar que se disser algo grotesco de imediato vai reforçar um preconceito.
.E que preconceito mais desengonçado: o indivíduo pensa que é substitutível francamente por notas de cem reais.
.Isso é um problema, porque a mercadoria em questão (pessoa) não vale na mesma unidade monetária do papel-de-barganha;
.ou se determina que o humano vale ou que não vale nada. Só a moeda colecionada compra um indivíduo.

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