O grupo Ruptura propôs na década de 1950 uma nova vanguarda que retomou o construtivismo Russo, pregou novamente o racionalismo na arte e a destruição do naturalismo, enveredando para rumos semelhantes ao da ciência positivista. Por ser um retorno e ao mesmo tempo uma continuação de vanguardas, poderia ser interpretado como neo-vanguarda, não sendo original, mas uma retomada - dessa vez menos enraizada - de um outro movimento. O que impede essa análise é somente o caráter cientificista que assume, incapaz de rever o projeto e as aspirações originais, primeiro escritas por Gabo e Pevsner nos anos 1920 com o "Manifesto do Realismo", e todo o clima de diversidade dentro de artes construtivas que podem parecer conciliáveis, como a de Gabo e a de Malevich ou Tatlin. Imagine, no entanto, quando entram novamente em jogo aspirações regionais, o particular e o singular na arte, quando ao princípio construtivo tardio no Brasil liderado por Waldemar Cordeiro é levado o sentimento e a consciência do sujeito e a subjetividade retorna... Antropofagia Cultural! Na década de 1960: antropofagia. Seu ápice se dá gradualmente com o abandono da "vontade construtiva geral", que deixa com que a Arte Pop penetre e seja completamente deturpada, para felicidade das todas as Artes. Que fim trágico teve tanta honraria? O medalhão que comandou os adoradores nazistas da mesma arte aceita pelo Adolfo alemão e atacada pelos primeiros concretos: o realismo-naturalista milico daqui também não é original, ele é a quase-vanguarda desorientada refletida pelo espelho do Adolfo Hitler original. No final das contas, as vanguardas estão todas no poder, pedindo uma a uma que sejam dribladas e desmobilizadas, por isso "Seja marginal. Seja herói"!
segunda-feira, julho 28, 2003
Postado por allan de lana às 12:30 AM 0 comentários
sábado, julho 26, 2003
Gostaria de recomendar o filme Tiros em Columbine.
Podem dizer que o tal do Michael Moore é irritante, mas incompatibilidade entre temperamentos, ou entre interesses multinacionalistas, só se coloca em tese em colunas de fofoca (como a do Álvaro). Para quem não acredita mesmo em nada, tem o senso crítico bem ardente, vale à pena perceber que a dedicação em recusar de Michael Moore não é compatível com a tentativa de defender o próprio pão banhado a ouro do editor-chefe do Fantástico. Este tenta igualar às "omissões" e furos constantes da imprensa a cena redutiva, mas simbolicamente representativa da realidade, arquitetada por Moore e que contribui para a estética do filme, na qual acelera o processo de aquisição do rifle com o qual foi brindado pelo banco em que abriu uma conta. Falácias aparte, aliás, esta e quase todas as outras vindas dos próprios Estados zUnidos da América e repetidas pela imprensa subalterna daqui, vale à pena notar e ser tocado pela tentativa do grande diretor-narrador de buscar respostas para o fato de a violência armada nos Estados Unidos ser tão aguda, sua comprovação numérica para esse fato e as comparações feitas, com o Canadá, principalmente. Os mecanismos usados pela mídia e pelo Estado para estimular a fobia a etinias e grupos minoritários, aqueles que não dominam economicamente, bem como maneiras corriqueiras de manter a ordem e a exploração social contínuas, são revelados em grande parte.
Postado por allan de lana às 2:01 AM 0 comentários
sexta-feira, julho 25, 2003
sejamos um pouco ranzinzas para não sermos inimigos
Para que servem os direitos autorais? Vou atacar um caso em que os direitos autorais não são morais, quando centralizam o acesso ao conhecimento da história universal, restringindo-o às elites econômicas. Permitir o uso de uma imagem, de uma música, de um livro ou de um filme (ou partes desses), ainda que apresentados em má qualidade, para fins didáticos é deixar que se faça justiça, porque o acesso ao conhecimento conduz à participação e à cidadania. A cidadania é elemento-chave da Democracia, e a democracia só se dá com a política social, ou seja, com uma comunicação canalizada dos sujeitos e agentes para o auto-controle, então, se não há acesso livre às áreas de produção científica e cultural, não há democracia, pois não há comunicação, já que não há domínio pela maioria dos códigos e sistemas básicos. Assim sendo, sugiro que toquemos um FODA-SE! sem tamanho à comercialização abusiva por meio da persuasão de imagens reproduzidas e à exploração da ignorância feita por gravadoras e editoras da indústria de massa. A história universal não pode mais ser usada como forma de domínio e subordinação. Chega disso!!! A lei precisa ser revista, porque em certos casos a reprodução é necessária. Um brinde à nossa livre circulação, nas ruas e nas idéias.
Postado por allan de lana às 2:20 AM 0 comentários
quinta-feira, julho 24, 2003
Concreto, por quê?
Queremos viver melhor. Queremos que todos vejam e reconheçam o seu espaço e os outros sujeitos. Precisamos reconhecer os problemas colocados pela matéria e resolver ao máximo os impasses do nacionalismo. Construtiva não é meramente uma forma de padronizar a expressão, é uma maneira de se colocar o ambiente em contato e familiaridade com o sujeito e, por isso atingir um internacionalismo verdadeiro. É necessário que se continue algo que não se conseguiu exatamente nas primeiras vanguardas construtivas e apagar o eurocentrismo de todas elas. Por isso, queremos concreto, o concreto de todos. Queremos a arte e a poesia: concretos.
Dica pra mim e pra você: Vygotsky e Piaget
A imagem acima é uma escultura do artista russo Naum Gabo, que foi embora para a Alemanha, fugindo do totalitarismo de Lenine e Stalin, junto com vários outros artistas, onde contribuíram com a Bauhaus. Lá, na Alemanha, o construtivismo ganhou novo fôlego e rigor, mas a escola foi destruída pelo nazismo... A história não acabou aí, porém, e tivemos continuação ainda do peso construtivista, injetado no Brasil, por exemplo, com nome de concretismo, influenciado pela presença física e influência direta de Max Bill. Tudo o que se viu depois nas artes desse país conheceu a face concreta da arte e, durante períodos de opressão, esta foi em muito acrescida de valores sociais e regionais particulares à cultura, espaço e momento histórico. Concreto, por quê? Porque Parangolé, porque Tropicália, Porque Malevich, porque Rodchenko. O Universal permite estar em todos os lugares, os pensantes que o pensem enquanto sujeitos. Maiakovski: "Melhor morrer de pinga do que de tédio".
Postado por allan de lana às 8:45 PM 0 comentários
quarta-feira, julho 23, 2003
007
Entre e sorria.
Antes, sorria.
Retrato, traíra,
Mistura de Pigmalião com Narciso,
Morre em matéria e
Quando relíquia: velharia.
Tão feliz ver-se em gelo,
Em preto ou cinza
e suporte branco.
Encanto que sorri de engano.
Encanto.
Mais perecível do que a própria folha,
Expandida porque passiva e incólume,
Imaculada.
Postado por allan de lana às 12:42 PM 0 comentários
sábado, julho 19, 2003
http://www.ufmg.br/festival/
Me lembro quando certa manhã passava em Diamantina com o meu Pai. Era o último dia do Festival de Inverno. Cidade Bonita, aquela.
006
Igreja de São Francisco
De assis-te em Diamantina
Inquieta sua concreção:
Grita pra fora os seus engolidos.
Monumento a São Francisco,
este na pomba da salvação.
Postado por allan de lana às 2:05 AM 0 comentários
quarta-feira, julho 16, 2003
Dias bons lembram fatos agradáveis
Férias. Monitoria garantida para o semestre que vem... A exposição, que mesmo com greve da biblioteca teve exatamente 100 visitantes que assinaram o livro e muitos elogios de pessoas que se sentiram também elogiadas...
Lembra de dizer oi para os visitantes e leitores do eau de parfum, que são poucos, mas são meus amigos (sim, eu acho que conheço todos, me satisfazem muito).
O principal agora vem de um quase-impulso de fugir para São Paulo. Sei... eu sei que isso parece um romance caduco de escritor tuberculoso, sempre me debelando por São Paulo e nunca vou lá. Acabo culpando-o por ser longe, por sair caro... Por eu não poder parar de estudar quando está no meio do semestre. Mas agora eu tenho uma possibilidade, sem ter que vender meu corpo. Quero fugir junto com a Dany, nós queremos, merecemos.
Enquanto não chega o fim-de-semana e eu não decido de uma vez por todas, sobra um tempo para arrumar minha bagunça. Achei nela uma espécie de poema-manifesto que tinha as primeiras estrofes meio complicadas, preocupadas demais com história da arte, o que não ficou muito fluente. Compreendo nele o motivo da minha afinidade com Hall Foster e Fredric Jameson. Não é tão complexo perceber a nossa realidade como eles sugerem, passados recuperados e futuros adiantados. Não é tão difícil perceber que às vezes a compreensão do presente faz mais sentido quando o julgamos psicótico. Difícil, sim, é justificar perfeitamente tudo isso, sustentar como tese. Eles não conseguem, porque eu conseguiria?
Compreendi essa afinidade, depois tomei a liberdade de fazer alterações, tirar e colocar versos, redividir estrofes etc. O poema ocupa duas páginas (metade de um A4 cada uma), na segunda há muitos cabides desenhados com uma só linha. O título (005) faz sentido porque estou colocando números em alguns dos poemas que tenho achado sem título e que, de certa forma, ficariam piores se entitulados com palavras muito escolhidas.
Só para terminar, gostaria de lançar uma pergunta: como pode ser verdade que "é arte que há parindo a vida" se não existe para arte sequer uma definição? Já que a vida também é uma idéia abstrata de mais, estabelecer essa maternidade não seria uma grande confusão entre estados impossíveis de se assemelhar a qualqer coisa a não ser por dessemelhança? Respostas podem ser grandes e complexas, para o e-mail abaixo do Passo do Pato (acima, à direita).
005
Há caverna onde houver concreto
Abrigo onde apartamento.
Há pré-história onde houver sujeito
Pegadas onde calçamento.
O pé sentindo a lama
É o corpo sensível, o nódulo dos sentidos.
Faz-se ver com a mão nos ouvidos:
O tato da cor cheira e trama
Por entre a trama a picada
Sinapse na teia urbana.
Acordai ao interior íntimo das pegadas.
Vide a origem dentro do mundo
Flanqueando sua essência com o sentir contaminado por cotidiano.
É arte que há parindo a vida
Na materialização da idéia cristalina
Na lucidez que suplanta a rotina
Olhai sentindo os pedaços derramados, artistas.
Há um pequeno e íntimo delito;
Multiplicai-o, ele é arte, olho d'onde nasce a vida.
Postado por allan de lana às 1:16 AM 0 comentários
domingo, julho 13, 2003
001
Esquinas têm quinas
Parques
Crianças traquinas
004
53
Meu anjo é
Meu amor cerebral.
Postado por allan de lana às 3:03 PM 0 comentários
terça-feira, julho 08, 2003
Veja, na galeria da biblioteca Central da UnB
Desenhos: exposição de uma turma de desenho 2 muitíssimo exemplar, com desenhos de alta qualidade técnica e conceitual. A abertura foi ontem e o fechamento é dia 14.
Também participo, com uma série impressionante (em extensão) sobre insetos alados. Até agora o que a mostra recebeu foram elogios, de fato ela não é didática como se esperaria.
Estão todos convidados.
Sometimes you feel so happy.
Tudo o que eu quero é terminar meu semestre e ouvir o Lou Reed...
anger ooooon your pale blue eyes... dizem eles como se se preparassem para o grande sono. Chega de praticar a revolta armada, chega de manifestações "freak", chega de tudo isso, a revolta é de paz dos revoltosos, não de revolta dos pacifistas. A resistência é nossa.
Postado por allan de lana às 8:01 PM 0 comentários
sábado, junho 28, 2003
Problemas com acentuação foram resolvidos, mas parte de um post não foi recuperada, o que não vai fazer muita diferença mesmo. Rompi a tradição de fazer no máximo um post em um dia. A resolução se deve ao fato de eu, procurando se o problema era só comigo, ter entrado no Misto Quente e visto de cara isso:
"problemas com os acentos - a solução
Para os blogueiros hospedados no blogger gringo que tiveram problemas com a acentuação, compartilho a solução que acabo de descobrir:
Dentro da tela de edição de posts, clique em settings, quase no topo superior direito.
Depois que a pasta de settings abrir, clique em formating.
Em formating, procure lá embaixo a opção language e mude para portuguese (brazil) e, o principal, procure a opção encoding e mude para: western (ISO-8859-1).
Clique no botão Save changes, volte para a tela de edição de posts e aperte o botão Publish.
Apenas isso."
Postado por allan de lana às 10:36 PM 0 comentários
sexta-feira, junho 27, 2003
tá... o blogger acabou de acabar com esse blog, como você pode ver, pelas interrogações no meio do texto. Não posso arrumar essa barbeiragem do programador do blogger, por isso, adeus a todos.
Postado por allan de lana às 3:34 AM 0 comentários
viver por mim: viver sem mim
viver por mim: viver sem mim
o último frio é longe
o primeiro quente não tem fim
o pulso impulsiona
para onde o ponto espera
a dúvida não distenciona
onde longe o amor caminha
quem vive por mim vive longe
não volta com pressa
nem salta do ônibus antes do destino.
O amor que assim ama é virgem sempre
não é estéril, nem inocente;
interrompe o soneto à descoberta.
O que est? acontecendo?
Um jornal se transformou em um livro contra-o-jornal, que conduziu a outro livro, que conduziu a outro. De repente percebi uma relaç?o de tudo aquilo com outro livro ainda e mais cap?tulos avulsos de uns outros três livros. Sem querer, emprestei um livro que n?o seria usado no trabalho, mas que continha exemplos diferentes e documentos mais completos do que outro que estou usando também para tirar casos concretos... etc...
Acaba que aqui do meu lado têm 7 livros s? para esse trabalho mais algumas xerox de textos e s? a introduç?o, que ainda ser? acrescida de uma pré-introduç?o (pref?cio) j? extrapolou o limite de p?ginas da pesquisa. Ahf! E isso porque eu n?o estou desocupado. E isso porque eu estou mesmo é deprimido e de luto. Acho que uma caracter?stica minha companheira é o entusiasmo. Um entusiasmo frio.
Postado por allan de lana às 2:55 AM 0 comentários
sexta-feira, junho 20, 2003
Uma coisa há que se dizer que o Allan Kaprow disse:
"A riqueza e a variedade dos estados de consciência nas artes hoje (1969) são tão grandes que é difícil deixar de admitir os fatos seguintes:"
ele enumera alguns fatos muito relevantes e;
"Que o pó nas camas e os restos nos depósitos industriais são mais atraentes que as exposições (muito em moda hoje) de sucata espalhada."
Postado por allan de lana às 9:47 PM 0 comentários
segunda-feira, junho 16, 2003
pesquisava pela internet quando entrei em uma página do CorreioWeb que falava sobre a revitalização da gravura. Lá, na matéria de fevereiro de 2003, dizia que Maciej Babinski havia morrido há alguns anos. Estranho... Tem menos de um mês que assisti a um pedaço de palestra dele. O auditório estava cheio. Eu não estava vendo fantasma sozinho.
Postado por allan de lana às 10:40 PM 0 comentários
segunda-feira, junho 09, 2003
tem Festival de Internacional de Cinema Ambiental em Goiás Velho de 10 a 15 de junho. Vai ser bom.
a respeito da minha falta de tempo para escrever no blog
Não tenho tempo para escrever sobre isso agora.
Acabei falando sem querer em uma das essências do Minimalismo: não existe mais tempo. O tempo como ainda começamos a nos adaptar é mais uma projeção virtual do espaço (ou dos espaços), uma projeção online e em uma segunda ou terceira instância de desarraigamento. Primeiro a mercadoria produziu o relógio, depois o relógio de pulso (pelo maior de todos os não-artistas brasileiros de todos os tempos), que confortou bastante o humano em seu estado de "quase-coisa", extensão orgânica da ferramenta inorgânica (ou virce-versa, como é sugerido por Bresciani); agora, inacreditavelmente, se recorremos ao passado, só podemos fazê-lo se o colocamos em situação desumana, artificial, concretamente impalpável, cuja reprodução provavelmente terá a mediação da máquina e dos simulacros que ela produz, e caso contrário ainda mais nos será estranha. Entramos em uma terceira morte da natureza, por meio da qual tudo se torna irremediavelmente volátil junto com a nova máquina; já se pode falar de memória humana do computador, a extensão do meu cérebro é o HD. Ele é auxiliar da minha razão, que tem que ser econômica para ser espacialmente viável, porque nada mais é viável em termos de tempo, de gênese, e a vida tende a acabar com tudo o que não seja meramente conceitual, que não despreze a matéria completamente.
Postado por allan de lana às 9:09 PM 0 comentários
sábado, junho 07, 2003
quinta-feira, junho 05, 2003
Já não é mais entre períodos curtos que a gente se encontra
Antes eu olhava pra você sem saber se estava perto.
Agora só posso vê-la refletida no espelho da minha estufa –
Culpada por esses raios sem-terra não-aprisionados e sem rumo.
Na verdade eu nunca soube da distância que desencontra.
A antítese traça uma linha firme.
Eu não tenho as antíteses desse romance.
Nós estamos rebolados.
Postado por allan de lana às 10:05 PM 0 comentários
quarta-feira, junho 04, 2003
Só nos loucos de revolta e indignação contém felicidade.
Não vou enxertar em mim sua vegetação
Estou cansado a ficar dormente.
Seu brinquedo me vem como ameaça.
Por trás de sua massa grilos assobiam –
Lá de onde você sabe que merece anestesia
Por isso uns adotam sua alegria
Outros sua inquietação.
Por isso eu não passo o tempo assistindo
Seu jornal contado pelo diretor.
Porque ser branco como a sua letargia?
Até os carros passam porque tudo está parado!
E assim é fácil: porque parado pensa estar se mexendo.
É preciso arrancar a capa do chão e pôr na parede.
Talvez os apaixonados estejam tentando demais agarrar a Lua.
Quem se incomoda?
Só nos loucos de revolta e indignação contém felicidade.
Postado por allan de lana às 12:23 AM 0 comentários
sábado, maio 31, 2003
"Oh, vala materna quase repleta de água lamacenta! Belo esgoto fabril! Engoli teu lodo nutritivo; e lembrei-me do abençoado seio negro de minha ama sudanesa... Quando saí - roto, imundo e malcheiroso - de baixo do automóvel emborcado, senti o ferro incandescente da alegria perpassando-me deliciosamente", disse Marinetti pela boca de Rosalind Krauss.
*Boccioni: Forme uniche della continuità nello spazio
Postado por allan de lana às 10:34 PM 0 comentários
domingo, maio 25, 2003
Galeria da CAL. Uma instalação contém linhas pretas a partir do teto que dependuram muitos lápis "faber castel". Aguém disfarçadamente desenha com um lápis na parede branca. O artista ao ver o desenho se revolta ameaçando pintá-lo com tinta branca. Sua obra, não percebe ele, ganhou independência, ao que devia estar contente. Pergunto então:
- Mas o discurso dessa sua instalação não é sobre desenho? Não é de desenho que ela trata?
Nitidamente as linhas em tridimensão pretendiam contrastes que imitavam uma técnica usada também para imitação (o desenho), fazendo, provavelmente sem o artista querer, com que a mímesis reaparecesse (ela havia sofrido atentado já na arte moderna), mas dessa vez ao avesso: a imitação daquilo que já não pretende representar.
- É... É isso. Mas se eu quisesse que alguém riscasse eu haveria deixado isso claro. Eu teria escrito aqui, ó: desenhe. Se ao menos fosse um desenho bonito, mas é essa coisa feia aí!
Fiquei calado. Vendo aquela obra de arte que tinha virado a independência tétrica do Dr. Frankstein. Só agora ela tinha ganhado um sentido revelador e o autor não percebia isso. Mais uma vez o Gombrich estava certo em sua "Arte e Ilusão": as linguagens são instituídas e disseminadas e a nossa expressão vai-se limitando ao que a gente conhece previamente.
- O transgressor pelo menos entendeu o seu recado. Mas deve ter sido mesmo demasiado transgressor - disse eu para consolá-lo.
Postado por allan de lana às 12:40 PM 0 comentários
quarta-feira, maio 21, 2003
Quanto tempo!!! Primeiro meu computador foi atingido por um raio, depois pegou fogo. Depois que voltou não tive mais tempo para respirar prolongadamente e escrever no blog. Entretanto, tenho vivido "artisticamente" (ou emocionada, expressiva e reveladoramente, até o ponto em que sejam sinônimos), em uma obra de arte tensa e dramática, cheia de contrastes. Estou chegando a um clímax, embora possamos achar o "clímax" um tanto arcaico... Quase posso dizer que viver de maneira emocionada e reveladora implica em matar a arte ou pelo menos desfrutar de seu cadáver ou, na melhor das hipóteses, de seu fantasma. Esse é um tema confuso e por isso interessante para ser abordado, mas não agora. Até!
Postado por allan de lana às 8:38 PM 0 comentários
quarta-feira, abril 02, 2003
Existem inquietações que estou muito longe de entender. Talvez a única ansiedade que eu entenda seja a minha, porque na maioria das vezes meu conhecimento de mim mesmo é mais que suficiente, não preciso saber dissecá-la com teorias nem conceitos que desconheço.
Partindo de mim mesmo, então, meu cotidiano de duas semanas pra cá, na UnB gravemente doente por sua decadência, há indignação. Há gente reclamando por todos os lados. Há também ameaça de uma nova greve de servidores. Há epidemias e os que torcem por elas, que em geral são os que já foram contaminados. A mais grave das epidemias é da Síndrome de Barnaut, muito mais grave que a ameaça de um ebola ou da "pneumonia da morte". Ela é a síndrome da desistência que faz educadores se tornarem ridículos, paspalhões, desastrados e prejudiciais. Basta se lembrar de Colingwood para traçar a linha reta da semelhança entre Barnaut e a "morte" do artista e do ser humano colingwoodiana. Pena que no Departamento de Artes Visuais Colingwood não seja parte de nenhuma bibliografia, e talvez isso faça com que muitos professores pensem que nenhuma relação existe entre a arte que fazem e a aula que lecionam.
Colingwood é o que há de mais convincente sobre a responsabilidade ética enorme que tem um artista. Essa responsabilidade é a causa, mais do que a conseqüência, da capacidade de revelação inalienável de qualquer obra, movimento, gesto, pensamento, palavra... artísticos, pois o domínio das linguagens artísticas antes totalmente intuitivas que as ciências da percepção e as artes e filosofias formalistas deixaram abriram um rombo na lona pintada linearmente desde o Renascimento. Como conseqüência, as vozes estão soltas e tanto o mundo do real quanto do imaginário cogitam a possibilidade de esquisofrenia (não é difícil ver alguém claramente normal se chamando de esquisofrênico): a indústria da moda e as ciências do convencimento consumista, irmãs do Marketing e da Publicidade, fizeram-se apropriar do que puderam até hoje dos tais avanços objetivos; já alguns artistas, em euforia consumidora tentam em série engolir códigos de barra e forçar a arte a comê-los. Algumas vezes, isso dá barato, algumas irrefletidas vezes em que se rejeitam os "priori" e se vale da ação.
Sem perder o fio da meada, a ação artística é reflexiva, ela sim vem junto com a (auto)teoria, e isso também quer dizer que se pode falar em arte da vida, arte da gesticulação, arte da matemática... Todas enquadradas em uma esfera maior da arte do entendimento por via da emoção. Aí está a razão pela qual a Estética nada na mesma pscina que a Moral e a Lógica. A falha ou a desistência do senso de realidade humana dos objetos dessas disciplinas (o belo, o bem e a verdade - já desamarrados de sua base positiva) desestruturam o indivíduo. Os constrangimentos ainda podem levar ao abandono da emoção como uma tática de não-sofrimento: entra em ação, segundo o bacana, maravilhoso e magnífico Colingwood, a morte.
Se minha visão é trágica, basta saber do alto índice de envolvimento de franceses e europeus com o extermínio de judeus na época do Fascismo (em que vivia Colingwood) e da conversão inacreditável dos ingleses de hoje de menos de trinta para mais de setenta por cada cem deles ao apoio dos bombardeios, confrontos e demonstrações bélicas que para os chamados aliados são espetaculares como para um ser normal ir ao circo ver o globo da morte. Os que desistiram, não só os iraquianos e boa parte dos registros históricos sobre o nascimento da humanidade e da escrita (logo, da lógica), morreram, não podem mais exercer sua saúde física e material.
Por aí vai a minha ansiedade, essa agonía de estar vivendo entre um certo número de mortos e doentes em estado grave. Não só um dos coordenadores do curso de Artes Plásticas parece ter abandonado o barco dos lúcidos e amantes da arte (e da emoção) como nos corredores inúmeras pessoas reclamam do caos de não haver professores, das turmas estarem abarrotadas, de alunos de fora da universidade estarem sendo levados para assistir aulas no lugar de alunos matriculados que não conseguiram cursar sequer uma disciplina (nem um crédito) por falta de turmas e vagas... Reclamam como se agonizassem, culpam o CA e tudo quanto poderia ser sua alternativa e salvação, mas não conseguem mais nada além de dizer repetidamente que o erro é de fulano. Assim, o tumulto toma ares de cemitério ou de hospital. Sem possibilidades de amadurecimento pelo debate, os hospitais lotam e falta remédio (como ocorre em Brasília) e o cemitério do Plano Piloto é um caos, todos serão enterrados no quintal do VIS.
Postado por allan de lana às 8:39 PM 0 comentários
terça-feira, março 25, 2003
Todo o meu tamanho
Polegadas achatadas
A se desdobrar uma-a-uma
Pode ser todo
Pode ser tudo
Pode não ser
Acabar
Se perder...
Mas se perdurar.
Pode usufruir
Talvez sem dizer
Talvez sem sentir-se obrigado.
Para mim,
Basta o querer
sem sangrar, sem bater,
Jamais ser derrotado.
Postado por allan de lana às 7:04 PM 0 comentários
domingo, março 23, 2003
horizontalidade-verticalidade
Me agrada muito olhar para o Cacto. É um momento de paz difícil de ter atualmente. O nome do meu cacto é Cacto e foi a Dany que me deu ele de presente. Abraçar e beijar a Dany é outra experiência que desacelera minha loucura televisiva, o stress a que o simples fato de eu ler ou ver um jornal me submete.
Cacto
Se viras do avesso és doce
Se olhas para dentro és macio
Se bebes, não te afogas
E ainda há o que tu reservas.
Se reviras ao verso és medroso
Se olhas teu corpo vês espinhos
Se te defendes não te atiras
E sempre há o que tu reservas.
Se viras meu verso, é que és doce
Se olhas meu dentro, é que és tão macio
Se me embebes, jamais me afogas
E ainda há o que me reservas.
Se me reviras ao verso, és meu espelho
Se olhas meu corpo, teus espinhos
Mas se te defendo, sim, me atiro
E sempre há água com que te rego.
Postado por allan de lana às 2:25 PM 0 comentários
quinta-feira, março 20, 2003
QUERIA AMARRAR O BUSH, O HUSSEIN E O BLAIR UNS AOS OUTROS, BEM APERTADO, E TRANCAFIÁ-LOS DENTRO DE UM QUARTO CUBICULAR COM BARULHOS ENSURDECEDORES DE BOMBAS, MÍSSEIS E METRALHADORAS. Depois a gente decidia o que fazia com eles, esses lixos humanos, vírus do Hitler. Será uma epidemia? Pelo menos na África e no Oriente Médio, esse vírus ataca mais e mais fulminantemente do que o vírus da AIDS, que o mundo já está tendo meios de controlar e evitar.
trabalho cumprido 1
Ao todo foram 11 páginas ilustradas, das quais 8 serão usadas na publicação de um livro importantíssimo para a disseminação da nossa história parlamentar e seu dimensionamento exato. São os grandes momentos da Câmara dos Deputados, levantados de um acervo enorme do Centro de Documentação Parlamentar e outros livros, escritos por Casimiro Neto. Esse foi meu trabalhinho de férias, com quinze dias de ralação integral.
Tive uma dedicação das mais contentes e bem aproveitadas de todas. Impressionante é avaliar agora que tudo terminou e perceber que jamais eu sairia tão contente de um trabalho tão difícil se não fosse algo tão importante. Embora seja ilustrativo e prescindível, com toda certeza leva a potência da imagem a acrescentar à mente a capacidade de reconstrução da portentosidade de nossa história. Por isso, imagino, quando terminei não consegui passar pelo fim como se fosse fim.
As aberturas para reconstrução aparecem fortes sobre a superfície descoberta e no esboço a lápis muitas vezes à mostra e inconcluso. A ilustração joga com o tom artístico e o histórico: atualiza, regride, eterniza. Assim discute a linguagem expressiva ao mesmo tempo que afirma um fato histórico. As cenas e personagens mais importantes aparecem como centro de módulos que extrapolam o formato e chegam do indefinido ao definido, do mais abstrato ao mais figurativo das bordas para o centro, do desordenado e complexo para o nítido e simples, do mutável para o fixo... Assim, com vários passados e presentes, é uma ilustração artística e documental.
O livro do Prof. Casimiro Neto, se for lançado, estará disponível na página da Câmara dos Deputados para "download". Será imperdível.
trabalho cumprido 2
A matrícula da UnB acaba amanhã e começou anteontem. Não havia ninguém do CAPLAS disponível nem disposto. Desde muitas matrículas atraz os alunos reclamavam da desordem nesses dias. Mas comigo no CA isso não pode acontecer. Chamei pessoas para ser voluntárias. Interceptamos os documentos da pré-matrícula com ajuda do professor de Design, Evandro, ordenamos por curso e matrícula e grampeamos. Três dias antes disso avisei a 2 coordenadores que iriamos fazê-lo. Um, do curso noturno, quis se opor, o outro, de Licenciatura, gostou muito e agradeceu. Este já me conhecia e acho que confiou mais no CA do que aquele. O fato é que estivemos orientando o pessoal. As informações que circulavam sobre as inúmeras mudanças votadas no colegiado, com minha oposição (sou representante do CA no colegiado), mas com unanimidade de aceitação dos professores, foram feitas de ponta-cabeça e nenhum secretário nem coordenador sabiam informar nada a respeito. Deu trabalho orientar aquele pessoal e foi uma zona o início de tudo, com atrazo de mais de meia hora dos coordenadores. Se não fossem os vountários que ajudaram, a matricula provavelmente começaria só no turno da tarde, com atropelos irreversíveis. Hoje e amanhã, não temos mais voluntários inscritos e eu vou descansar. Tudo está bem mais tranqüilo e fácil de ser resolvido (outra vez: graças a nós, os estudantes da graduação) e não haverão maiores complicações, pois o Maurílio, secretário do VIS, vai estar lá e ele sabe como deve ser o trabalho dos coordenadores, ficando sobrecarregado por isso.
A vantagem de tudo é que agora o CA tem relátorio dessa atividade do dia da matrícula, o que nunca fizeram antes. No semestre que vem os próximos ocupantes deverão ter uma postura fiscalizadora e denunciar negligencias do governo com relação aos profissionais do VIS, além de apoiar o trabalho dos coordenadores para que eles não cheguem no dia da matrícula sem ter um conhecimento mínimo e atrapalhar tudo mais do que já é.
Postado por allan de lana às 12:50 PM 0 comentários
quarta-feira, março 12, 2003
Guerra à história da arte
Os especialistas estão preocupados: a guerra no Iraque provocaria uma pausa na arqueologia não apenas naquele país, mas em todo o Oriente Médio, e poderia levar ao bombardeio e à pilhagem de algumas das mais antigas cidades da Mesopotâmia, que correriam o risco de ser saqueadas a ponto de se reduzirem a ruínas de ruínas. Por John Noble Wilford e Holland Cotter, de The New York Times
Postado por allan de lana às 7:15 PM 0 comentários
quarta-feira, março 05, 2003
ode ao blogue
Um blogue pode ser uma experiência reveladora. É possível designar esse tipo de ocorrência, que promove auto-conhecimento e entendimento, como uma das qualidades que jamais abandonaram a arte. Ainda que uma obra de arte surja em meio a preconceitos, ela mesma não é nada além de um mundo regurgitado e recapturado pelo conhecimento perceptivo. É assim que um Pedro Américo promove um evidente conhecimento de si por meio da retratação da Batalha do Avaí em que aparece vestido de soldado, portando um comportamento e uma expressão, além de possibilitar a propagação temporal longilínea da historicidade de um acontecimento e das preocupações das ciências de sua época e espaço. Usando mídias diferenciadas das do mestre do séc XIX, Nelson Leirner hoje dá motivos para discutirmos sem fracassar pela desistência o papel da religião e da moda e as vicissitudes e vícios das nossas convicções. Já o blogue eleva ou rebaixa à arte da revelação; não é um "reality show", mas costuma ser o registro de experiências válidas de maneira muito mais refinada. Exige não somente a descrição de fatos: ao descrevê-los e nomeá-los, automaticamente, ainda que não haja vontade consciente, ocorre a atuação do estilo como elemento de análise. Em outras palavras, prosaicas e incultas, blogar é reviver, selecionar, estilizar e revelar-se a si mesmo.
homenagem a um blogue morto - seis dos últimos momentos
Hoje deletei meu antigo blogue, mas selecionei alguns dos seus últimos suspiros, um deles já denunciava, no início de setembro de 2002, antes mesmo da imprensa, e anos depois da minha descoberta, roubos na saúde pública do DF que mais tarde, quando passaram a ser feitos sobre a compra de remédios, levaram centenas de pessoas a falecer nos hospitais (Isso mesmo, para quem é de fora ou de outro país, nosso governador é ladrão e assassino). Eis a homenagem::::
O meu T4 está livre e meu TSH, ultrassensível, por isso eu quero escrever poesia
Tire o óide daqui, beibe
A quimioluminescência automática chegou.
Nenhuma iluminura é analógica e todas ficam mais ou menos na minha cabeça
O meu livro das horas.
acho que meu blog tá com vírus do Baba, um árabe filho da pauta... Que porcaria era aquela? Muitas letras, muitas mesmo!!! Alucinações nerds?
Que acontecimento mais macabro!!! Agora aparecem Figurasinhas de colocar em fundo de página encima na esquerda.
Você viu isso?
Diz que viu, pra eu não me desesperar com os 150 ml de chá de cogumelo que eu virei ontem.
Tentaram derrubar a Oficina do Perdiz
Nunca fui lá, mas pretendia ir
Me parece ser melhor do que espaços culturais
Regularmente inscritos nos buracos dos anais
Da Secretaria tola e medrosa
Que coloca a nossa arte no sovaco
Da urna do Estado-Macaco
E essa arte melindrosa, politicamente perdida
Poderia ser salva em alguma casa alternativa
Por isso, se eu fosse o fiscal
Deixava de ser animal
Protegia os bens caídos nos braços da cultura
Como a Oficina do Perdiz
Esquecia também a Marlene Dornas
E a ordem da Secretaria-Chafariz
Tomava dos políticos a cultura
E iria derrubar era a casa do Roriz.
Vamos ser enganados pela "urna", morte à urna.
Baré cola:
o futuro em nossas mãos!
Me veio à mente um trabalho de campo sobre comunicação empresarial que eu fiz uma vez em um hospital público e quando eu tava interpretando os dados levei um susto que quase caí da cadeira. Voltei ao início, ouvi a fita outra vez... Tava certo, a FHDF tinha um funcionário fantasma na área de imprensa. O que você faz nessa hora? Chama a polícia? A pessoa que me deu a entrevista nem se tocou do que ela tava denunciando (apenas informou números e dados sem análise). Eu não fiz nada, só dei destaque a esse ponto no seminário para concluir que: "informação não é comunicação." e que a área de saúde pública estava sendo usada ilegalmente, apesar do corte total de investimentos em programas de prevenção na época. Isso tudo eu lembrei porque preciso passar o resto dos disquetes pro computador e organizar minha pasta.
Postado por allan de lana às 6:40 PM 0 comentários
domingo, março 02, 2003
Minha ponta de lança
Pé
Dança.
Um passo grande com fé
no pequeno
sem esperança.
Postado por allan de lana às 1:34 PM 0 comentários
segunda-feira, fevereiro 24, 2003
prato Azul-Pombinho
Fui ver a casa de Cora Coralina. Na cozinha, dela, muitos encantos. Uma carta de Jorge Amado a elogia no domínio da arte-culinária (mas provavelmente não seria em esquecimento à sua poesia). Um fogão a lenha. Uma geladeira amarela muito encantadora, daquelas bem gordinhas e baixinhas. Um livro de receitas e uma carta comunicando à Cora de que um de seus pratos à goiana havia sido a melhor receita da quinzena enviada àquela revista. Aquela cozinha é infantil como a cozinha de uma criança e facilmente nos encanta. Mas, ao visitá-la, não quebre nada, pois um adulto pode amarrar um caco do objeto quebrado ao seu pescoço como punição com o qual você poderá se machucar dormindo, como a poetiza lembra em seu escritório com sua louça chinesa modelo "Azul-Pombinho" quebrada.
Postado por allan de lana às 1:16 PM 0 comentários
quarta-feira, fevereiro 12, 2003
batendo as asas sem sair do lugar
"É férias". Essa é a expressão que amanhã deixa de ser expectativa para aproximadamente 600 estudantes do VIS (Departamento de Artes Visuais). Depois de terem entregado desenhos em quantidade além da centena, traçam agora seu caminho leve, aderindo ou não aos contornos carnavalescos extravasados por um preenchimento de muita folia.
Meu último trabalho do semestre teve como pretexto o tema "insetos alados". Aderi à ilusão do vôo e comecei a construir arquétipos da minha personalidade embrionária de inseto. A avaliação foi um sucesso, embora prejudicada por trabalhos entregues com atraso, de modo que pouquíssimo além do que chamei de "pretexto" pôde ser abordado.
O melhor dos desenhos na minha opinião parece praticamente desprezar a técnica e explicita uma abordagem da arte que em quase todos os contextos eu repudiaria: a abordagem idealista, que prega que uma obra de arte só existe em um momento: o da concepção intelectual ou da presença do real, pois a materialização da experiência levando em conta os materiais em que ela ocorre a transformam. Ou, ainda, mais radicalmente: segundo Gombrich "a percepção já estiliza" (entendendo-se a estilização nesse caso como incômoda). Esse desenho mostra como fazer um inseto usando seringas, mola e alfinetes; e suas asas usando plumas, elástico e cartão telefônico. O idealismo é nítido ao fazer do suporte e da matéria sobre ele um mero meio dúctil da idéia de um inseto que se pode construir, fazer bater asas, tornar voluntária sua picada e admirar sua estrutura pouco familiar, relegando o desenho à qualidade de instrução. Maior idealismo ainda é que a idéia fica melhor se executada mentalmente, sem fazer uso de qualquer cartão telefônico, seringa, ou o que seja, reais. De qualquer forma, esse desenho ainda permanece um bom registro de um momento e não perde uma certa estranheza estética. Eu espero tê-lo de volta e fazer uma moldura especial para dependurá-lo em meu quarto. (essa da moldura é brincadeira)
Amanhã ainda vou me despedir dos meus colegas e desejá-los que voem como insetos de verdade... Como o que pousou nos meus desenhos quando eu estava apresentando para admirar seus parentes e amigos dentro da "colméia". Ficarei, então, como aquele inseto que construí na mente, mas materializado. E materializado ele não voa, só bate as asas. Com isso, mudo meus planos de viajar pra São Paulo: trabalhos de férias... E descubro que sou um vagabundo que adora trabalhar.
Postado por allan de lana às 8:30 PM
sexta-feira, janeiro 31, 2003
Publicidade para marimbondos
Um inseto morto se assemelha a um pequeno marimbondo. Suas vísceras não podem mais ser vistas através da transparência do exoesqueleto encardido. Bege. Qual ciência os haveria tão habilmente retirado? Seria uma peça de museu envolvida por betume?
A comoção própria do espírito, o que é particular e humano, o tornará modelo. Viva. Aquela casquinha embalsamada. Como que por meio de clonagem de genes ela será matéria nova, continuando mesmo a ser tão... ... ... Betuminosa... Confusa, se multiplica.
O desenho brinca com sua aparência e com sua invasão. De nanquim agora invade, o inseto, a folha cinza. E em cinzas (ou betumes) reacende as línguas. Ressuscita as vistas. Dá cambalhotas sobre o tato das linhas pretas, grossas, cinzas, finas.
Com tanto humor de morto então ironiza em um imenso cartaz de poucos centímetros:
“tome
FERRÃO
e fique...
FORTÃO”.
Animado em sua pose ilusionista, seu braço mostra, cômico halterofilista, o que a legenda indica: o fêmur, a tíbia e os tarsos anteriores. Publicidade para marimbondos. Será que eles acreditam nisso?
tributo a cazuza (queria ir, mas não posso - R$)
Depois do sucesso dos Tributos a Cássia Eller e a Renato Russo, nesta segunda, 27/01 é a vez do SQUARE (Gilberto Salomão - Lago Sul) homenagear CAZUZA, num tributo recheado de artistas.
o poeta está vivo! - tributo a cazuza
bob chacal - indiana - jorge macarrão
márcio bomfim - thaís fread - tino freitas
segunda, 27/01 - 21h - couvert r$ 3,50
informações e reservas - 2480987
Postado por allan de lana às 9:28 PM 0 comentários
sexta-feira, janeiro 17, 2003
Ah, sim, muito tempo...
Muito se passou nesses longos dias. Muito de substancial e experiências das quais algum conhecimento poderia ser apreendido. Saiu, por exemplo, uma notícia sobre o museu Guggenheim. Seria construída a segunda filial do Guggenheim em Nova York. Aí você me pergunta: Mas porque eu me preocuparia com isso, uma obra de US$ 1 bilhão em Nova York? A mim, particularmente, tal fato só chamaria atenção (como chamou) por causa da crise afetando as artes no que elas dependam de algum mercado (o que também tem seus efeitos positivos). No entanto, a notícia pode ser mais interessante, pois mesmo com o cancelamento da obra destinada a revitalizar a zona sul de Manhattan abalada por ataques terroristas teremos, provavelmente, uma filial do museu no Rio de Janeiro.
Outra novidade é que preciso fazer 17 desenhos ótimos no tema "insetos que voam" para o dia 10 do mês que vem. Isso vai dar bastante trabalho, principalmente por eu mesmo me exigir um estudo anatômico de insetos e a seleção dos "esquemas" anatômicos corretos. Então, quem quiser mandar-me qualquer coisa sobre o assunto, aceito e agradeço.
Postado por allan de lana às 6:35 PM 0 comentários
sexta-feira, janeiro 03, 2003
Projeto Prima Obra 2002-2003
Prazo para inscrições extendido: até 3 de fevereiro de 2003
O Projeto Prima Obra destina-se a artistas plásticos das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
Os interessados encontram o regulamento e a ficha de inscrição na
Coordenação da Funarte em Brasília (+61) 223-2441 / 223-5513 / 226-9228
ou download (formato PDF).
Informações: telefax: (+61) 223-2441 / 223-5513 / 226-9228
ou iarabm@terra.com.br
site da funarte: http://www.funarte.gov.br
Postado por allan de lana às 12:18 PM 0 comentários
terça-feira, dezembro 31, 2002
feLiza ano novo
Um dia, quando na minha rua moravam meninas além das duas que aparecem para dizer oi uma vez por ano, aconteceu uma festinha de meu aniversário aqui em casa muito psicodélica. As mulheres em geral conseguem animar as pessoas quando querem, até para festas psicodélicas. Nesse dia, 14 de outubro, dançamos músicas de festa junina. As meninas fizeram uma vaquinha e compraram um CD encalhado que vinha em uma revista Caras (ou Contigo, sei lá) com músicas natalinas cantadas em português de Portugal, fazendo propaganda do óleo de cozinha Liza. Maravilha aquilo. Tirei as músicas juninas e cortei o barato do povo que tava dançando aquelas maluquices muito legais de situações sertanejas do tipo "olha a cobra!", então coloquei o CD FeLiza Ano Novo, que agüentamos ouvir até a metade. Tirei-o para não apanhar. Ninguém estava dopado, e tomávamos pouca cerveja. A lucidez foi o grande barato daquela noite e sempre é em todas as horas e todos os dias.
Muita lucidez para todos. Usem a droga do Novo como forma de expandir a percepção e o auto-conhecimento, mas não engula nem cheire o novo todo em um só dia. A embriaguez e a dormência exageradas são o avesso da sensibilidade e da hiperestesia.
Desejo para o início de 2003: que Roriz e todos os políticos, comerciantes, bicheiros, grileiros, ladrões de carga, desembargadores e profissionais que o ajudaram a crescer como ladrão ou aceitaram ser comprados sejam punidos e presos, devolvendo os milhões roubados; e Magela no GDF. Sei que é quase impossível, mas acho que pode ocorrer.
Outro desejo meu é aprender mais sobre física e mecânica.
Tudo de bom e felicidades.
Postado por allan de lana às 4:53 PM 0 comentários
segunda-feira, dezembro 30, 2002
Abraham Palatnik.
Palatnik!
Parece A Palavra mágica da cinética.
Palatnik!
Basta dizer com convicção.
Os objetos ganham vida própria,
No escuro, a luz ganha inteligência
e a forma de seu sentido, projeção.
Nada representa Palatnik
Ele conduz à quinta-essência
de que somente a luz é a multicor
em ação.
Nelson Leirner em Brasília
Eu já havia dito que Nelson Leirner estava em Brasília, na galeria ECCO? Não? Pois é, está. E é melhor você ir ver logo, porque não sei até quando ele vai ficar.
Mas cuidado... Muiiiito cuidado para não virar macaco. Não seja um macaco como os que não nos deixam usar Nelson Leirner: abra o zíper! Mas não faça macaquices como a minha de perguntar pra monitora se a gente pode usar as obras, porque ela vai dizer que não e vai ficar vigiando como fez comigo e com o Alex. Apesar de ela ter sido gente fina e dado as costas umas vezes para fazer de conta que não tava vendo que eu tava abrindo e fechando o zíper e apertando a Mona Lisa.
Para ninguém ficar pensando imoralidades, explico. Lúcio Fontana fazia cortes com estiletes em suas telas monocromáticas. Assim, abria o espaço, expandia o vazio. Seu argumento colou e ele ficou famoso. A partir daí, passou a repetir a experiência gestual do corte com estilete em várias telas monocromáticas, incessantemente, como que vislumbrado pelo espaço infinito que criava (ou pelo Glamour obtido a partir da idéia).
Nelson Leirner então sofistica a idéia de Fontana com um ato simples: costura diversos zípers em uma tela, que podem ser abertos ou fechados de diversas maneiras, dispensando a repetição da compra de novos materiais semelhantes para "brincar" com o estilete e possibilitando que a experiência do espaço seja vivida e desfeita. A obra é interativa, mas na galeria não pode ser tocada (que maravilha, não?).
A Mona Lisa (ou as Monas Lisas), mostra a vulgarização de um objeto de arte original que se tornou um mero objeto decorativo e muitas vezes um antiquado símbolo de "status", servido à idolatração do poder vazio das imagens fora de seu contexto original e completamente deturpadas. O mesmo ocorre com a santa ceia.
A exposição ainda vai muito além, levantando questões e ironizando a tão mal usada arte conceitual, confundida cada vez mais com o "cult" e "intelectualizado" modo afrescalhado de ser.
Postado por allan de lana às 1:28 PM
segunda-feira, dezembro 23, 2002
Chegou o recesso de fim-de-ano. Agora todos os dias parecem fins-de-semana. Talvez aí esteja um motivo para eu não ter escrito nada aqui nem ontem nem sábado.
Eu poderia ficar enchendo lingüiça aqui por muito tempo, porque não tenho nenhum compromisso nem para hoje nem para amanhã, apenas preciso terminar o presente da Dany e comprar o do meu amigo oculto de natal, embora eu odeie o papai noel, aquele balofo chato com desequilíbrio térmico. No caso do presente da Dany, agrada-me que dia 25 seja o dia dos nossos seis meses de namoro. Sim, uma metade! E prefiro comemorar uma metade do que comemorar o Espírito Natalino.
Bem... Acabei lembrando sem querer do concurso de poesias do SESC, em que Espírito Natalino foi meu irônico pseudônimo... Anteontem foi o lançamento do livro com as 25 finalistas, entre elas a Trifase. recebi 19 livros mais um. Esse "um" é o meu, que tem uma dedicatória do Nicolas Behr, o meu maior ídolo da geração mimeógrafo de 70. Me felicita e emociona muito que no livro que ele recebeu tenha também uma dedicatória minha, improvisada no momento em que ele me abordou em minha mesa pedindo a página de Trifase.
Fiquei perdido como se meu coração houvesse disparado. Meu coração havia disparado. E como havia! Porque eu ja tinha falado com o Nicolas naqueles ataques de idolatria que desconfiguram a normalidade de algumas pessoas, como eu, vez ou outra, mas jamais pensei que Ele um dia sequer abriria um livro qualquer na página...
"Trinta e quatro. Trifase.", meu pai disse em voz de temperatura ambiente.
Aí eu o desejei uma boa viagem, porque naquela noite algumas pessoas importantes da cerimônia já haviam recorrido a esse uso inadequado de viagem no lugar de leitura.
Agora devo ter uns 14 livros e vou desejar mais umas 14 boas viagens para mais umas 14 pessoas que não sei ainda quem. Não vou decidir agora. Você deve se lembrar que quando comecei a falar do livro do SESC o fiz por um desvio incidental causado pelo "Espírito Natalino". Até aquele momento, eu pretendia falar sobre meu mais novo vício, ou... Minha mania de fim-de-ano.
Porta-copos com gravuras. Fiz o primeiro jogo de porta-copos por influência da... adivinha... Dany. Ela é quem sempre diz: "Lan... por que você não põe em prática aquela sua idéia?" ou "Gostaria que você se inscrevesse em um concurso de poesias."... Dei no amigo oculto da Terèse, minha queridíssima professora de Materiais em Arte 1. A gravura escolhida foi a de um copinho feito com linhas brancas em fundo preto. Aliás, devo fazer uma correção, não foi gravura, mas pintura e monotipia misturadas. Um pouquinho só de gravura em madeira.
Agora pretendi dar continuidade à confecção de porta-copos. Um jogo vem com 7 e custa 8 Reais. Todas as "gravuras" daqui por diante serão resultados de estudos da obra de pintores e outros artistas. Hoje terminei as impressões do Magritte. Amanhã terminarei os porta-copos usando elas. O próximo será o Dalí ou o Da Vinci.
Tenho tembém pesquisado novas formas de impressão em pano e com o passar do tempo elas vão melhorar muito, sobretudo quando eu tiver uma prensinha portátil.
Postado por allan de lana às 6:59 PM 0 comentários
quarta-feira, dezembro 18, 2002
Queridos leitores!!!
De volta ao mundo.
Estava mesmo com saudades desse monitor natimorto com uma imagem de formulário de postagem mais natimorta ainda, principalmente de soprar uma vida neles por meio dos meus dedículos aracnídeos.
Nesse fim-de-semana voltarei a escrever algum texto interessante (que pra mim é interessante) aqui. No mais, só posso deixar como registro agora, uma postura que tenho que me parece exorbitantemente romântica, mas que jamais será negada por aqueles que já se despiram de preconceitos e se deixaram auto-conhecer por uma obra de arte:
A arte é a lucidez
e a viveza extrema
a embriaguez sob a qual há clara destreza
e a confusão hiperestésica das sensibilidades
corpo e percepção
dos quais só a vida é feita emblema.
Postado por allan de lana às 12:14 PM 0 comentários
domingo, dezembro 01, 2002
Introdução à Corrupção da Consciência
Não imagino o motivo de tal inversão. Não começarei esse texto delimitando o tema que já foi delimitado pelo título, nem apresentando minha tese. O fato é que ontem cheguei à conclusão de que sou analfabeto em teatro e em cinema. Isso me induziu agora a lembrar exemplos de vídeos que trabalharam diretamente ou por meio do "não-dito" (princípio que não explicarei, porque assim se tornará dito) com esse assunto. Por isso, resolvi começar pelas recomendações finais. São dois os filmes: Billy Eliot e Língua das Mariposas.
No primeiro, mais simples, direto e negativo, uma criança é levada a repudiar comunistas, induzida ao aborto de sentimentos antes que se tornassem emoção e, mais além, expressão, após e durante a qual há um processo de clarificação, de ganho em autoconhecimento e lucidez. No segundo, cujo desfecho é positivo, há uma conversão do comportamento do pai boxeador cujo filho queria ser bailarino. A superação de um preconceito ocorre no momento em que o adulto resolve "adotar" suas próprias emoções. Diz Aaron Ridley, acerca do conceito Collingwoodiano: "Uma consciência corrompida ou 'falsa', ao contrário, é uma consciência que, em razão da falha em clarificar seus pensamentos e sentimentos, recusa-se a reconhecer suas experiências como suas próprias." (2001, p.17)
Collingwood leva a problemática à arte e ao artista e desses de volta ao mundo. Para ele a arte é a cura oferecida da doença da Corrupção da Consciência e, talvez não tão hiperbolicamente como possa parecer, para a morte a qual essa doença implica - no que discorda, no entanto, Ridley.
Não obstante, o próprio Ridley atribui o que denomina exagero ao clima promovido pelo fascismo europeu dos anos 30. O que é descrito então pelo autor para traduzir os efeitos desse fascismo é assustador. Não que devamos ter medo do passado, mas, no entanto, do presente, do perigo de alguns críticos, de alguns jornalistas, jornais "da comunidade" ou "de Brasília", de consciências fracassadas ao se deixarem corromper. Elas não são mentirosas, nem tampouco enganadoras, mas simplesmente ficaram alheias à sua verdade e conhecimento devido à uma "analogia com o que pode ocorrer entre um intelecto e outro" (Collingwood, citado por Ridley, 2001, p. 18), falhando no conhecimento de si mesmas.
Eis a tão trágica realidade dos anos 30 que implicou em uma epidemia dessa doença: "Não apenas na Itália, Alemanha ou Espanha, mas também na Grã-Bretanha, as pessoas estavam sendo impelidas por uma onda de 'sentimentos não-domesticados' a adotar, da boca de demagogos, pensamentos que não eram verdadeiramente seus".
Passe agora os olhos por sobre uma tal América, da qual nada aqui foi dito nem será, a não ser que é capaz de matar a quantos forem como simples, tranqüila e coriqueira publicidade. Constatará, como eu, que Collingwood estava certo?
Postado por allan de lana às 8:34 PM 0 comentários
quinta-feira, novembro 28, 2002
Acabo de redigir um e-mail para a lista do CAPLAS com os assuntos das reuniões de hoje e não pude resistir, apesar de já ser um pouco tarde para continuar aqui matando e fazendo viver o tempo - isso porque não se mata o tempo assim tão fácil, ele é como uma sangue-suga que quanto mais se tenta arrancar de si maior a força com que ela se prende à pele, fica mais vivo nessas horas de cronohomicídio -. Ocorre-me uma intensa necessidade de reler a fala do Nelson Leirner, esfregar meus olhos, ler outra vez, e dessa vez cada letra e combinação sonora das palavras, para tentar fazer com que maior lucidez ainda me atinja, mesmo estando com sono. É quase inacreditável que o que eu tenha tentado dizer várias vezes, mas com grande auto-censura e medo, na minha insignificância, tenha sido tão claramente dito por... um artista consagrado! E o que é, afinal, um artista consagrado? Arranque-o esse título... O que sobra? Textualmente, o "artista", mas em termos reais... alguém. ninguém. Admitir-se assim é admitir uma ética que nos suplica ser vista enquanto artistas (todos nós), sem se deixar morrer na consciência. É esse o assunto: Corrupção da Consciência: sobre o qual desejo tratar. Fica para a próxima postagem. Agradeço a todos os que comentaram o post anterior ou os assuntos dele, a absolutamente todos. Felicidades e até esse fim-de-semana.
Postado por allan de lana às 10:22 PM 0 comentários
quarta-feira, novembro 27, 2002
Se me perguntas o que desejo mais avidamente nesse momento, digo: ir ver Nelson Leirner. SÃO PAULO É A CIDADE DOS SONHOS!!!
Vê uma transcrição de uma fala dele, feita em uma matéria do Obraprima.net:
"(...) Durante três ou quatro anos, começaram a acontecer muitas coisas com a minha carreira; coisas retumbantes, embora estranhas. Notei, por exemplo, que com seis meses de pintura fui premiado num salão. Com um ano de trabalho exponho na melhor galeria de São Paulo, a São Luiz, que apresentou meus desenhos sem vê-los antes. Mais seis meses e entro na Bienal; e Stanislawsky, crítico polonês de fama internacional, acrescenta ao meu trabalho uma longa crítica. Aos poucos, a gente vai percebendo a razão de tudo. A qualidade de meu trabalho não possuía a importância que lhe foi dada. Era uma pura questão de prestígio social. Tinha visão do que fazia então, e sei que era realmente ruim. Quem trabalha seis meses não pode surgir de repente e ter seu trabalho aceito. Pode mostrar apenas que tem talento. Com a consciência do que estava acontecendo, surgiram perguntas sobre critérios de julgamento e sobre a própria obra de arte. Tudo isso punha em xeque e em dúvida o valor das coisas. Compreendi que se pode construir um cara qualquer; até sem ver seu trabalho. Era natural que começasse a soltar tudo o que estava dentro de mim, logicamente num sentido de contestação. Esse foi meu começo"(São Paulo: Paço das Artes, 1994. p. 41-42).
Recomendação para leitura nesse momento caso você tenha ficado tão perplexo(a) e contente quanto eu:
Honoré de Balzac. Ilusões perdidas.
Postado por allan de lana às 8:29 PM 0 comentários
quarta-feira, novembro 20, 2002
Eu quero monitorar a exposição do Athos Bulcão, mas não me puderam nem me deixaram porque eu sou do segundo semestre. Essa verdade não implica em ignorância. Se fazem entrevista para quê serve esse critério grotesco baseado em um aspecto cronológico requisitado de maneira incompleta?
Te interrompes-me
Quando te vejo-me andando atrás das regras
Te sinto-me impróprio
Quando me dizes-te: crianças... Querem o todo
Não sabem de nada... pequenas e piegas.
Postado por allan de lana às 7:53 PM 0 comentários
domingo, novembro 17, 2002
Cheguei de Goiânia
Trazendo 2 CDs novos como minha bisavó na malinha.
A humanização do Design?
O que é uma arte genuinamente brasileira? Isso existe? Espero que sim, mesmo com todas as distorções que na prática essa expressão "genuinamente" apresente. E ainda, admitindo que a "personalidade" do Design (contemporâneo) tenha em sua formação algumas pitadas de arte e contribuição de artistas, será que é possível surgir um Design brasileiro?
Essas questões não podem ser respondidas com um nacionalismo qualquer, um amor fervoroso pela pátria. Aliás, nenhum nacionalismo pode-se dar ao luxo de posicionar-se do lado do sim ou do não. O âmago intencional dessa última pergunta é a identidade cultural - os ritos, os mitos, as ciências científicas e tradicionais, artes, cultura - dos povos que recebem a miscigenação do Design, associado ou não às ciências administrativas e ao Marketing.
Se entramos no campo do Marketing, a identidade cultural não pode ser preservada a não ser sob condição de ser derrubada. O Marketing, esse vírus comercial, muta-se e muta lentamente em função de seu axioma plano o meio em que age, tornando-o vulnerável. Sua única e final intenção não pode ser mais do que: o lucro: ainda que essa faceta que abarca toda a face pareça estar cega e reduzida a uma inofensiva verruga. Para ser sintético, abstenho-me do aprofundamento a esse respeito, já que sempre que se trata de globalização esse assunto é recorrente e muitos autores o tratam muito melhor do que um mero "estudante escritor de blogue" (sendo cruel comigo mesmo).
Por outro lado, o Design não associado ao Marketing, pelo menos em seus princípios morais (que são os de quem o faz), mesmo que sim em sua necessidade de suporte financeiro, pode ser, entre aspas, nacionalizado. Eis abaixo uma sugestão para estruturação simbólica de um "produto" que apresentei em um seminário no semestre passado:
As xícaras são de Mestre Cardoso, citam as cerâmicas, peças da arte marajoara, com símbolos próprios e enraizados na cultura regional de uma época e de um local. Convidei-me a perceber o que a realidade fala sem dizer, ela fala sobre ela mesma. A escolha da arte marajoara fala, sem dizer, que eu busquei uma análise estrutural visando responder: a arte pode dar ao Design a genuinidade nacional?
Muito provavelmente não responderei com toda amplitude essa pergunta, faltam-me conhecimentos sobre história, mas o modo como respondo atualmente já permite escolher um método de elaboração extremamente forte, mas que, como se faz no campo seqüencial e extremamente racional deve ser destruído, por esbarrar em maquiagens do mesmo tipo daquelas das maquiadoras do Marketing. Somente são grandiosos em seu "espírito" (no sentido como não o define Hegel - sarcasmo surrealista) os objetos desenhados sem o uso de qualquer método matemático não numérico (ou numérico).
Postado por allan de lana às 7:36 PM 0 comentários
quarta-feira, novembro 13, 2002
Atualmente, sintiria-me satisfeito comigo mesmo e com meu estágio de inacabamento, mas algo me atormenta, uma voz zumbe e arranha meu córtex:
- Emprego, emprego. Emprego etc.
Preciso de um emprego ou terei que me eliminar. Falta ele para que eu possa ser eu.
Postado por allan de lana às 7:49 PM 0 comentários
domingo, novembro 10, 2002
ADSL
Agora sim, acho que não vai mais dar problema na ADSL. O cara "resetou" (não sei em que sentido) a central e trocou o modem daqui de casa.
China, símbolo e sabedoria
Meu interesse começa na universidade. Um interesse mediano, corriqueiro e multiplicador de uma tradição acadêmica de reprodução de dados científicos objetivando deixar para trás... Derramar no passado dejetos da arqueologia e da estética que meu organismo não recicla, como um aluno ansioso pelas curvas virtuosas do SS. Mas bastou uma vez ter observado fotos de bisontes petrificados ou eternizados nas cavernas por sangue e outros pigmentos para que minha escola habitasse um pouco meus pés, minha animalidade. Talvez um pouco além, minhas mãos encontrariam os arquétipos do fenômeno "contemporaneidade".
E por que não ir em busca sobre a China? Seus machados de bronze e cálices ritualísticos, máscaras de duas faces que pouco se sabe sobre serem mitológicas ou não, a Idade do Jade e uma dívida da arqueologia eurocêntrica para com sua pre-história. Um mundo grandioso em pequenos espaços entorpecentes, o símbolo ciente e a arte da consciência sempre retornando ao seu início. Assim se faz o saber sobre a idéia: ideológico: ideográfico: ideograma: a escrita de filigrana: pintura zen: arte do bem:
E diante de uma enchente de conhecimentos carentes, faltando tudo sobre o Paleolítico negligenciado pela nossa sapiência, eis que eu estou no papel mostrado: a pintura e o entalhe que não são os próprios seres representados: a linguagem do mundo inanimado: o poder da substância:
Recital
Teve recital da Margarida, dia 8, na Praça do Relógio de Taguatinga. Tem outro dia 12/11 na Católica às 19h e estarei recitando outra vez um poema dela em homenagem ao Drummond. Haverá coquetel e creio que um coral também vai cantar.
No dia 8 foram poucas pessoas, mas a maioria adorou. O Presidente da Academia Taguatinguense de Letras estava lá e saudou com alegria aos participantes, assim como outras pessoas que ficaram emocionadas.
Postado por allan de lana às 9:55 PM 0 comentários
domingo, novembro 03, 2002
Meus pés, minha animalidade
Meus pés, minha animalidade,
pisam bem próximos de fundirem-se ao mundo.
Neles estão minhas memórias
meus ancestrais, espíritos gravados nas pedras.
Não são minhas mãos que os anjos alcançam
nas horas em que caminho.
Piso suave na memória que me descansa
mas sinto a preensão tardia
da mão que me quer, ora que me desmancha.
O polegar opositor invade
os monumentos das mãos tecnocratas,
espreme contra o indicador meu caminho,
desinfetado o sensível tão frágil pela chuva ácida,
antes que me esmague a traquéia
ponho-me a gritar as imagens que vejo
perdendo-se nos desconfortários arquitetônicos
e acalmo-me do delírio crônico da cidade
Com os pés reconfortados sobre a vida.
Postado por allan de lana às 10:15 PM 0 comentários
sábado, novembro 02, 2002
Sumi
A ADSL pifou.
Prêmio SESC de poesia
Não fui premiado, mas minha declamação foi um momento de êxtase em que me senti fundido à essência do universo e atingiu muito positivamente algumas pessoas. A qualidade de quase todas as poesias foi louvável, então pensei comigo que minha participação seria por si só interessante, como é mesmo para alguém que está começando na poesia, mesmo sem prêmios e medalhas. No entanto, se eu ganhasse uma menção honrosa, prêmio que seria facultativo aos jurados oferecer, estaria perfeitamente satisfeito, e isso me pareceu bastante possível. E foi quase isso que aconteceu. Posso dizer que ganhei uma quase menção honrosa: trifase esteve dividindo opiniões na banca examinadora, recebeu mais elogios das pessoas do que imaginei, mas não venceu uma outra poesia que não sei se é boa, porque não entendi sua pronúncia pela autora, inventou-se um critério que me pareceu completamente fora dos parâmetros estabelecidos pela regra de somente ser válido o texto: a poetiza tinha mais gente na torcida do que eu, que contava com minha grandiosa platéia composta por duas pessoas que eu adoro: minha mãe e minha namorada. Minha mãe pagou meu ônibus e fez durante 22 anos um grande esforço para me compreender, essa minha cabeça confusa, mas pacata; minha namorada ainda não precisou fazer esforço, mas me fez participar do concurso, me inspirou a abandonar minha timidez e levantou minha auto-estima. Mas foi justamente aquele "quase" que me agradou, já que quem mais aguerridamente defendeu a Trifase foi uma doutora em teoria literária que tem outros títulos reverenciáveis, de quem eu imaginei que jamais obteria sequer uma ponta de cêra de ouvido, mas de quem adoraria ouvir uma ou algumas opiniões, mesmo que disfóricas, sobre o conteúdo e a forma do meu pequeno texto. Pois consegui dela, sem sequer me manifestar, todo tipo de aprovação, olhando nos olhos, percebendo como ela precisava dizer o quanto aquela poesia a havia emocionado. Esqueci então os títulos daquela dama e os recursos poéticos e estilísticos que poderiam impressionar um analista literário sem sensibilidade: eu havia atingido o que pretendia e pretendo a cada dia mais: fazer as pessoas se sentirem vivas. E eu fiz isso com outros poetas, assim com já fizeram comigo também algumas vezes, inclusive nesse evento. Só isso basta: vida, sublime vida. Um livro vai ser editado com os finalistas, inclusive eu, que provavelmente terei meu nome escrito completamente errado e um erro grave de concordância no meu poema (ambos causados pela pessoa que os ditaram - ou digitaram). Dificilmente um ser normal compraria esse livro por minha causa, a não ser duas pessoas, mamãe e Dany; além do mais, com esses erros fatais, não irei indicá-lo, porque suas poesias serão maravilhosas desde que fiéis ao que o autor escreveu.
Trifase
O Sol, narciso, no fim da tarde,
apaga o dia e imprime a tábua,
enquanto foge, o movimento,
do eixo-estaca, e a Lua alarde.
Às duas fases do firmamento -
o que uma grava, outra revela -
segue a terceira no espelho d’água,
que dissimula, como aquarela.
Postado por allan de lana às 1:00 AM 0 comentários
domingo, outubro 27, 2002
Recital adiado
O recital que seria no dia 29 passou para o dia 12, na mesma biblioteca, no mesmo horário.
Postado por allan de lana às 11:46 AM 0 comentários
sábado, outubro 26, 2002
Blogue da Dany
Sou mestre em alterar postes que já foram sacramentados, eu os dessacramentalizo sempre. Agora estou fazendo isso para divulgar o blogue da Dany (e que blogão!), o Poema Lunar, que já tem um texto muito legal (ela escreve muito bem), lembrando a principal atividade do governo Roriz: segundo ele mesmo, o meio ambiente. (gargalhadas).
Comida, poesia e cobertura de "mashmallow"
Hoje tem comida especial na janta por causa do aniversário do Alex, que foi dia 24, como o do Ziraldo.
Hoje também tem ensaio, para o recital do dia 29, 19 horas, na Biblioteca Central da Católica. COMPAREÇA!
Aquele quadro ali encima é do Wayne Thiebaud, de quem eu não sei nem um pingo de história, tem gosto de Mashmallow (é assim que escreve isso?) e um cromatismo lúdico afável junto com a composição quase mística, mas muito divertida.
E, por falar nesses assuntos, dia 30 tem EU no SESC de Taguatinga e você tá convidado(a) para gritar meu nome alucinadamente. Amanhã posto o horário, que não sei qual é. Meu pseudônimo é Espírito Natalino e a minha poesia chama-se Trifase. Só não irei postá-la porque senão ela deixa de ser inédita.
Postado por allan de lana às 2:13 PM 0 comentários
sexta-feira, outubro 25, 2002
Picasso Gravador
Hoje a aula de Desenho 2 foi na exposição do Pablo Picasso, no Conjunto Cultural da Caixa. Lá também está tendo Otto Dix e fotógrafos africanos, aos quais eu não fiz visita. A intensão da aula era fazer algumas considerações acerca das qualidades de linha e do alcance dos claros-escuros lineares e pictóricos. No entanto, creio ser muito mais frutífero avaliar essas questões junto com a construção do sentido, descartando-as caso elas não sejam úteis para tal.
As gravuras, quase em sua totalidade, expressavam a visão dionisíaca do ser humano, fazendo uso da linha pura para clarificar todas as partes da mancha impressa. A intensão (talvez, e provavelmente, não intensional) é de dar abertura à uma idéia quase carnavalesca da arte, como na visão Nietzscheana, passada necessariamente, até se fixar por completo, pelo artista e seu desejo de potência e auto-afirmação. Tal visão levou à linha aparecer sincera a todos os detalhes, sem censurar ou esconder da luz nenhuma parte, tornando a representação de cada grafia explícita.
Um dos trabalhos em especial tratou sobre outra questão filosófica da arte e foi o que mais me encantou. De maneira genial, Picasso resumiu um dos princípios da filosofia de Kant, o princípio que iniciou, aliás, as discursões acerca da natureza do belo: ele não nasce na obra de arte, mas no seu observador. Ao mesmo tempo esse "retrato" de Picasso introduz uma idéia conceitual pela sua própria existência, a de que o sublime pode ser alcançado por meio da idéia, não só da natureza. A idéia, por sua vez, é fruto de um espírito, que na arte costuma vir associado a uma forma sensível. Trata-se de um teatro, com atores representando seus papéis calmamente e a platéia dominada por suas emoções mais fortes. O observador passa a fazer parte desse espetáculo, convidado a perceber o belo e o sublime em si mesmo.
A linha e as sombras são parte de um sentido originado na obra, mas alguns sentimentos, como a inquietação que senti, mas outros não sentiram, diante do "teatro" da gravura, extremamente frio diante do público tomado pelo pranto, pelo ódio, pelo desespero... Esses sentimentos que promovem a maneira de assimilação da beleza ou da feiura, ou ainda da idéia, estão no espectador, em sua visão de mundo, sendo ora mais, outrora menos variáveis.
Postado por allan de lana às 5:22 PM 0 comentários
quinta-feira, outubro 24, 2002
VIDIA O CENSO! AMARRA O CENSO! CUIDADO PRA NÃO FICAR DE BEM COM O MAU-CENSO!
"é a primeira vez, desde a ditadura militar, que um jornal de grande porte é vítima de censura explícita". Censuraram o maior jornal de Brasília, pior, com autorização de arrombamento!!!
Uma coisa que eu me pergunto: Por que tantos adultos veneram a época da ditadura? Sorriem diante das catástrofes mais do que diante de suas conquistas. Por que tanta gente culpa os jovens de perderem a liberdade que foi conquistada? Não culpem os jovens, por favor, vamos ser menos restritos em nossas críticas. Precisamos de força, inclusive dos adultos e de um reposicionamento de nossa juventude, voltado para o futuro, para seus sucessores, para que não joguemos no lixo juntos o que já obtiveram no passado!!!
Bandeiras contra bandalheiras
Sexta Feira, 25-10-2002 é o dia da ONDA VERMELHA!
Postado por allan de lana às 6:50 PM 0 comentários
segunda-feira, outubro 21, 2002
Dois tópicos que só vou postar em homenagem ao SPAM de um rorizista
e-mail que mandei para uma lista que recebia o SPAM:
SPAM + Jornal da Comunidade - dois crimes morais em dois instrumentos de poder
Fatos ocorridos nessas vésperas de eleição, como o SPAM ou a falta de ética na imprensa rorizista, demonstram como é nítida a necessidade que esse governo tem de manipular o povo e de dominar por meio do bombardeio de informações grotescas. Isso, cabe dizer, é uma técnica que não funciona com pessoas bem instruídas, mas em meios em que falta instrução e conhecimentos mais elaborados, isso infelismente funciona. A nós, que podemos fazer algo, ainda que ínfimo, para barrar a onda de ignorância para a qual muitas pessoas às vezes sem escrúpulos, as vezes sem instrução ou ainda completamente dominadas pelo medo que a (ainda)direita política tenta disseminar em forma de mito, contribuem, cabe dar nossa cartada. Em primeiro lugar, algumas pessoas têm recebido indesejadamente correios eletrônicos com assuntos abordados sem o mínimo de compromisso com a verdade, com fins unicamente eleitoreiros, vindos do extremo rorizista. O mesmo não pode ser dito a respeito dos anti-rorizistas. O site anti-roriz, por exemplo, não encaminha mensagens a qualquer um, o que seria um desrespeito à privacidade, ele envia mensagens apenas para aqueles que estão cadastrados em seu sistema e que se cadastraram voluntariamente. Essa problemática pode ser avaliada sob um úinico prisma: o da ética.
Ética implica em compromisso com o esclarecimento e com a responsabilidade social do que se veicula ou pratica, jamais com a manipulação do povo ou de quem quer que seja com finalidades unicamente particulares. Tanto o SPAM citado aqui quanto o Jornal da Comunidade, distrubuído no DF gratuitamente, e também provavelmente o Jornal de Brasília, no qual o candidato "azul" diz que vai intervir em sua conversa com Pedro Passos grampeada, em que o irmão Passos praticamente dita o que Roriz deve fazer e este simplesmente acata, representam pilares da irresponsabilidade social e de uma anti-ética que precisa ser punida.
Não se trata definitivamente de liberdade de imprensa. Precisamos distingüir entre o que é livre e o que é simplesmente um acúmulo de absurdos. Pesquisas das mais grotescas são publicadas com erros abissais de até 20% de diferença com relação às pesquisas que possuem credibilidade são colocadas nas enxurradas de edições extras desse impresso. Grandes escândalos ligados ao governo vigente são sumariamente omitidos, enquanto seus redatores tentam catar agulhas no palheiro em favor dele. Não se trata aqui de levantar qualquer bandeira partidária, mas de pedir apoio e união de todos os que se sintam lesados com essa desinformação a que uma certa imprensa direitista nos tenta submeter, com estratégias grotescas de indução de comportamento. Há muito tempo parei de ler os absurdos daquele Jornal, percebendo seu grau de distorção, entretanto, não pude deixar de passar os olhos na matéria absurda publicada na mesma página de "Pesquisa da TV Brasília dá Roriz.". O erro da pesquisa é grotesco: 51,1% para Roriz contra 38,4% para Magela. Compare esse resultado com os de outras pesquisas (realizadas por volta de 20/10) e veja o quanto ela é indígna de qualquer menção. Em seguida, o jornalista anônimo que redige mal como um vestibulando sem amadurecimento no tema proposto usa termos da coloquialidade e clichês que obscurecem a profundidade do assunto acerca do debate na Record, identificando falhas da assessoria do candidato governista, como o fato de folhas com assuntos diversos o auxiliarem, muito provavelmente em sua falta de engajamento e conhecimento de seu próprio governo, como estratégias de comportamento e indução de falhas em seu adversário. Temos aqui um nítido exemplo de como a realidade é forçada a inclinar-se a ideologias partidárias.
Diante dessa imoralidade, sugiro aos infortunados pela lista intrusa e pelo Jornal da Comunidade que ajam contra tais instrumentos de dominação e alienação. Quanto ao Jornal, precisamos pedir que não seja mais enviado a nossos lares, pois não temos nenhum interesse em sua leitura. Como moro com meus pais, conversarei com eles para chegarmos a um acordo, no sentido de telefonar para a editora, que fica no Setor de Indústrias Gráficas, pedindo o impresso não seja mais atirado aqui em casa, em seguida encaminhar a ela um documento escrito e, por último, caso não adiante, procurar medidas judiciais para que essa tentativa de abuso intelectual cesse. Meu argumento é: o jornal é ruim, logo não tenho interesse em lê-lo; recebê-lo, para mim é o mesmo que receber montes de papés inutilizados, que, no máximo, servirão para que eu tenha o trabalho de joga-los fora ou envia-los para reciclagem. Sendo assim, como o jornal é atirado dentro das casas, cabe ao morador insatisfeito processar a
instituição que manda atirar lixo em sua residência ou em seu quintal.
Quanto ao SPAM, ainda é difícil agir, pois o sujeito que o faz permanece no anonimato, assim como tenta permanecer Roriz no mando de seus crimes contra a humanidade, a natureza, a propriedade... Mas não vamos deixar barato. Reivindiquemos ao menos a nossa integridade passando esse manifesto de mão
em mão, sem cessar o "Foward" enquanto não acabar nossa indignação.
Allan de Lana
P.S.: Agora também existe uma carta sem assinatura nem remetente que trata dos mesmos assuntos, colocada nas caixas de correio pelo "fantasma ladrão". Infelismente, ainda não vi um político que ganhasse uma eleição sem mais ou menos agredir a integridade intelectual ou o engajamento de seu eleitor, mas me parece que nessas eleições nossos candidatos, especialmente o Roriz, têm exagerado mais na dose.
________
piada que recebi no e-mail:
Relógio de cascata
O cidadão morreu e foi para o céu. Enquanto estava em
frente a São Pedro nos Portões Celestiais, viu uma
enorme parede com relógios atrás dele.
Ele perguntou: O que são todos aqueles relógios?
São Pedro respondeu: São Relógios da Mentira. Todo mundo
na Terra tem um Relógio da Mentira. A cada vez que você
mente, os ponteiros de seu relógio se movem.
Oh!! - exclamou o cidadão
- De quem é aquele relógio ali?
É o de Madre Teresa. Os ponteiros nunca se moveram,
indicando que ela nunca mentiu.
E aquele, é de quem?
É o de Abraham Lincoln. Os ponteiros só se moveram duas
vezes,indicando que ele só mentiu duas vezes em toda a
sua vida.
E cadê o Relógio do Roriz?
Ah! O do Roriz está na minha sala. Estou usando-o como
ventilador de teto.
Postado por allan de lana às 7:38 PM 0 comentários
quinta-feira, outubro 17, 2002
Recepção
Café da manhã amanhã no CAPLAS, às 10h. Quem for calouro, fique frustrado, não vamos melecar ninguém.
Interessante o que recebi no Boletim anti-roriz:
"A Malharia WJ malhas - QNE 16 LOTE 13 LJ 1/2 tel 3541063 / 3548060 / 3544847 possui uma grande quantidade de camisetas vermelhas (só tem vermelha) a R$ 6,00 (seis reais).". É possível que eu adquira uma. (eu em clima de Revolução Russa. Coitado do Lênin se ele ver esses dois idiotas candidatos a Governador hehe)
Postado por allan de lana às 12:42 PM 0 comentários
terça-feira, outubro 15, 2002
Síndrome
Acho que mais pessoas do que eu penso sabem da minha existência ou sabem melhor sobre ela do que imagino. Muita gente já me leu na internete, não aqui nesse blogue, mas no antigo, e também na publicação de "Os Pombos" feita pela editora Blocos na parte de literatura e poesia e já viram meu nome no Painel Brasileiro de Novos Talentos (por um poema que foi publicado há muito tempo, pelo guia espiritual da tia da minha tataravó). Vira e mexe alguém me conta que digitou meu nome artístico - Allan de Lana - no Google, então apareceram esses arquivos desenterrados. Hoje eu fui lá e constatei, é verdade, e tem também um garoto que se chama Allan Lana que tem Síndrome de Wílliams em um Álbum de Fotos hospedado no Terra. Essa síndrome parece se manifestar apenas ocasionalmente, sem nenhum motivo já identificado, em 1 entre 20.000 crianças que nascem. Ela foi descoberta por um tal Dr. J. C. P. Williams, que percebeu que entre as características das crianças afetadas pode aparecer uma intuição rítmica muito acentuada e facilidade para memorizar músicas infantis com textos ritmados, além de outras, que são relacionadas à falta de Elastina (pontos vermelhos da figura acima) e outras substâncias do cromossomo 7. Percebi também, buscando por "allan lana pombos" (Os Pombos é a poesia que mais frequentemente é encontrada) aparece o blogue da Marília. Depois de tudo, percebi que sou um inútil que acabara de perder mais de meia hora da minha vida brincando de me procurar e aprender sobre meu chará que tem S.W.. Mesmo assim, veja aí Os Pombos (com duas letras a mais e uma pequena correção no erro de digitação da Blocos), jogue pipocas para atraí-los e chute-os se quiser.
Os Pombos
As telhas ao sol estalam
os seus dedos.
Os pombos comem, exalam
assobios
e bicam as telhas velhas.
Por que será que póqué
poqueia pó na telhalheia?
Tocs no teto esvalam
à calçada.
Pelas canaletas calam
o silêncio.
A chuva chuá crachá
não tem chá, só oxalá lá!
Não têm respeito mútuo
...povo-pombo...
Não têm respeito público
...pombo-bosta...
Cagam!-nos monumentõs
monumentos.
São cagados por (cos) eles
e nos roubam
pipocas doces, telhados...
Só não roubam
cagam!-nos deputados.
Postado por allan de lana às 5:33 PM 0 comentários
segunda-feira, outubro 14, 2002
Pirenópolis
Três dias fora da morgação das férias (mentira, não fiquei tão inutilizado durante esse mês), constatando mais uma vez que é se cansando que se descansa e percebendo que o prazer estético a que natureza induz não é meramente contemplativo.
Abraçar as árvores, caminhar sobre as rochas, assobiar para os pássaros, levar mordidas de peixes nas pernas e uma dentada deles das mais gulosas na pinta preta das costas (doeu pacas), brincar com as formas da água em movimento, aproveitar o frio doce da substância líquida do Planeta Água. Esses são prazeres interativos, são esculturais, cheios de idéias e matéria, de seres e de entes, se Hegel não se engana, isso seria viver e conduzir a criação divina, brincando de ser Deus ou, como mais me atrai, um deus(inho). E se o Barthes não se irar comigo, posso dizer que a natureza "faz do saber uma festa" e que é infinitamente prazeroso tê-la sem destruí-la, assim como as palavras.
etc...
Rumo à cova
Parabéns pra mim. Hoje é o dia de perceber o quanto eu estou mais velho do que eu pensava.
Postado por allan de lana às 8:08 PM 0 comentários
quarta-feira, outubro 09, 2002
Gregor
Em A Metamorfose, Gregor acorda vertido em inseto e tenta acreditar ter um sonho. Sua família, enojada pelo novo aspecto, monstruoso, de "cucaracha" agigantada assumido pelo mais velho e trabalhador dos filhos, tranca-o na solidão incomunicável de seu quarto, onde aos poucos perde sua vitalidade. Gregor desiste de tentar comunicar-se em vão por meio de sua voz repugnante e dicção indiscernível; açoitado pelo pai, perde qualquer possibilidade de estabelecer comunicação com os humanos à sua volta, pelos quais é tratado simplesmente como bicho. Kafka descreve, de maneira fantástica, o prazer de uma simplória e sarcástica virtude que acerta facilmente à vida pública as distorções da vida privada: livrar-se dos problemas, seja como for e custe a quem custar, de modo que as distorções desapareçam.
Os atrasados - e eu tremendo de raiva
Algo me leva a crer que o Departamento de Artes Visuais da UnB está de sacanagem com os alunos. Eles querem nos forçar a pegar poucos créditos, sendo que a quantidade máxima já é uma mirra, 24. Querem que os alunos fiquem com seus 16 ou 18. Quando é que a gente vai se formar desse jeito?
Postado por allan de lana às 12:22 PM 0 comentários
terça-feira, outubro 08, 2002
Documenta de Kassel
Esse é o nome do maior evento mundial sobre a arte produzida na época contemporânea (possuindo uma história muito interessante, que vale a pena conhecer), nesse ano encerrada em setembro, na Alemanha. Participaram do Brasil Artur Barrios e Cildo Meirelles, que inclusive expuseram em Brasília, no espaço ECCO (sigla que não sei o que significa), junto com um grupo de artistas goianos. Artur Barrios foi quem mais me chamou atenção, usando palavras empilhadas para formar algumas dunas de discurso. A instalação, entretanto não se fazia completa no momento, não sei se por falta de espaço físico adequado, mas não deixou de provocar-me um choque e uma curiosidade muito grandes. Tudo isso é para dizer que hoje Glênio Bianchetti, um dos nossos artistas mais conceituados, dá, nesse momento, uma palestra, começada às 19:30, sobre a Documenta, à qual eu não pude ir, mas parece-me, por algumas indicações, que faz parte de um conjunto de palestras que serão dadas com o intuito de discutir nossa produção artística. Procurarei informar-me melhor, dispondo aqui no eau de parfum os horários e outras informações importantes, para quem quiser possa comparecer (inclusive músicos, poetas e atores).
É com disposição que a gente acaba forçado a ficar indisposto
Só o Departamento de Artes Visuais é mais lesma do que eu. Tiveram de adiar o papelzinho de adicionar/excluir disciplinas para a sexta. Estarei viajando... Trocando em miúdos: me lasquei.
Postado por allan de lana às 7:44 PM 0 comentários
segunda-feira, outubro 07, 2002
Hoje é dia do compositor.
Ode Compositório ao Processo de Aprendizagem Musical do Mundo
Um ônibus acelera,
Um tremor cinza de terra escapa-da-mente,
O escapamento retorcido sobre o humano.
Um pássaro canta.
Aculturo o canto do canário natureba:
Cítara, pífaro, tango, fígaro, eu recanto
Irirí, meu passarinho,
Eu não o conheço, Villa Lobos
E a soprano me ensinam
Sob o Sol das asas frenéticas do piano.
Os ouvidos da minha vista ainda estão compondo
As cigarras serrando os galhos da primavera.
As antropomorfo no meu poema compositório
Ao perceber a sua nova atmosfera – e canto.
Convite ao leitor a entrar no Mundo das Palavras:
O fim desse mês nos reserva muita poesia. Além do recital no SESC de Taguatinga Norte, para o qual já convidei os salutares leitores desse diário, hoje ocorreu a confirmação para minha participação em mais dois recitais. O primeiro, dia 29/10, às 19 horas, na Biblioteca Central da Católica, com participação do Coral e do Teatro Independente da Católica; o segundo, dia 08/11, no Teatro da Praça, centro de Taguatinga, idem às 19h. Ambos fazem parte do lançamento do livro Não dá Pra Esquecer, de Margarida Drumond e do relançamento de No Acerto dos Bondes, da mesma autora. Os recitais homenagearão a Carlos Drummond de Andrade. Participarei nos dois com um único poema, de autoria de Margarida. Quem comparecer ganha um pouco de poesia.
O Governador nas eleições brasilienses
Engana o povo durante dois mandatos não-contínuos, chega em uma das zonas eleitorais onde mais engana a população, Ceilândia, fura a fila e, acredite, demora mais de quatro longos e sofridos minutos para completar o seu ato pouco democrático, fazendo com que o mesmo povo tenha de esperá-lo, na região onde a votação foi a mais complicada e demorada do Brasil. Culpa de quem? "Foi HoRoriz quem fez", como sua própria propaganda anuncia. Sorte nossa que nessa eleição em Brasília tem a confirmação impressa do voto e possibilidade dos partidos acompanharem a apuração. Ainda assim, suspeita-se que o candidato mais folgado das eleições 2002, parente do Seu Craysson, tenha tido atitudes com o "proprórzitio" de tumultuar e causar clima propício a faudes. Imagine você que essa maliciosidade, que na eleição passada não podia ser fiscalizada nas urnas, pode nos ter dado um governador fraudado pelo período de quatro enganosos e inacudívels anos. Se existe essa hipótese, ela jamais poderá ser comprovada, mas hoje principalmente, ela não sai da minha cabeça.
Postado por allan de lana às 9:56 AM 0 comentários
sexta-feira, outubro 04, 2002
Nossa!!!! Nesses últimos dias tenho me interessado muito pela obra de Francis Bacon, e olha o que descobriram hoje, que eu fiz 2 comentários sobre seu trabalho:
"Pesquisadores acabam de encontrar telas que Francis Bacon jurou ter picotado a facadas e isso leva os especialistas a reescrever suas histórias a respeito do mestre britânico, morto há dez anos." (Obraprima.net)
Postado por allan de lana às 5:55 PM 0 comentários
A Fidelidade Canina em Movimento
Man with a dog, do Bacon e Dinamism of a Dog on a Leash, do Giacomo Balla, um dos criadores do Movimento Futurista.
Postado por allan de lana às 1:17 PM 0 comentários
Dois Anúncios Felizes
O primeiro anúncio é feliz por representar uma transformação grandiosa em torno de uma maneira leve de pensar o mundo, e é triste porque vai desvalorizar uma grande parte dos quadros que eu vendi antes e durante a exposição do Café com Letras. De lá para cá, parei com a divulgação, pois percebi que outra forma de elaboração de uma obra de arte poderia ser mais sensata e verdadeiramente válida, o que interferia na forma de encarar o processo de criação, que passaria a ser mais importante do que a finalização, e o valor (não só financeiro). Mais recentemente uma exposição sobre o grupo Fluxus passou por Brasília, o grupo, dos anos 50, tinha basicamente os mesmos paradigmas que minhas conclusões têm gerado e foi um dos maiores influenciadores das formas de arte que nascem nos dias de hoje. Quadros como O Grito e o Eco, Desinterrupção, Conserva Humanista, Encontro Forjado em Um Mundo Drogado e Mundo Horizontal não devem perder, no entanto, seu valor, porque marcam bem algumas descobertas e constatações importantes e idéias que sempre incidem na minha produção, formando de certa forma a sua razão de ser. Esses motivos me conduzem a uma pesquisa da qual a primeira parte deve ser concluída daqui a uns dois anos.
Nova maneira de negociar o que está estocado no meu acervo pessoal
Imediatamente, devo dizer que, por mais espetacular que uma obra de arte seja, ainda que sua composição seja fechada, ela não é completa na visualidade ou na auditividade somente, nem mesmo em Francis Bacon as possibilidades de sentir são esgotadas no primeiro "espasmo" visual. A pintura pode tentar burlar, entretanto os sentidos não visuais, mas, de qualquer maneira, fica aberta a valoração individual acerca da obra, incapacitada quanto a monosensorialidade. Por isso, nesse momento eu estou derrubando os preços de tudo quanto eu produzir e que eu já produzi que estiver sob minha responsabilidade. Esse preço será substituído pelo valor, filtrado por variáveis sócio-culturais, materiais e motivacionais. Em outras palavras, de agora em diante, não vendo mais nada em nome do comércio de arte, mas somente da disseminação de idéias. Concluindo, quem quiser adquirir qualquer obra de arte do meu acervo que esteja disponível à venda deve oferecer a quantia que lhe parecer interessante, desde que não ridicularize o custo material da produção e a minha dedicação pessoal.
Segundo Anúncio Feliz
Fui classificado para a final de um concurso de poesia que o SESC está realizando. Essa etapa será realizada no SESC de Taguatinga Norte, dia 30/10, com declamação dos autores classificados. A poesia, vou guardar em sigilo para que haja surpresa de todos no dia, o título é Trifase e, como provavelmente estarei fantasiado, para que as pessoas que forem me ver me reconheçam, meu pseudônimo é Espírito Natalino. Agradecimentos especiais à Dany, que insistiu para que eu fizesse a inscrição e ficou muito alegre quando soube do resultado.
Falando em agradecimentos
Obrigado a todos que têm visitado esse blogue. Fico feliz pelas pessoas estarem comentando. O Solitário 2 deu uma divulgada no blogue da minha banda brasiliense predileta, o Fabiano viu e achou muito maaasssaaa, a Dany elogiou também, a Maria Raquel respondeu à citação que fiz dela no segundo dia de postagem aproveitando para elogiar sutilmente a matéria, e a Cassandra, de quem tenho sido um admirador, também acessou isso aqui. Informo que não será dada mais tanta ênfase aos textos técnicos demais... e... sejam bem vindos a esse espacinho.
Não vote em mim
Domingo é dia de sofrer e se decepcionar com a vitória ou passagem para o segundo turno do sujeito mais velhaco do DF para governador. Mesmo assim, já tenho minha lista definitiva de candidatos para votar´, só falta achar um senador, mas acho que esse vai ser nulo, e mudei hoje meu voto a Distrital, que seria de Mário Drumond (PPS), pelo fato de haver somente pessoas em que não confio ou criminosas ocupando os três primeiros lugares, votarei, então, na ocupante do quarto lugar nas pesquisas:
Arlete Distrital, Maninha Federal, Cristovam Senador, Zé Ninguém Segundo Senador, Carlos Alberto Torres Governador, Lula Presidente.
Boa sorte nas urnas eletrônicas a todos e torçam para não haver fraude na votação, que essa urna é muito fácil de fraudar sem ninguém conseguir provar e sem possibilidade de recontagem, exceto no DF, que tem recibo de votação.
Mudei outra vez de Distrital: Chico Floresta 13123
Quem ler isso antes de votar e tiver indeciso pode votar no Mário Drumond 23001 também, que ele também é contra o crime organizado, mas mudei porque existe mas gente da legenda do PT entre os 35 primeiros, que pode vir a dissolver os rorizistas.
Postado por allan de lana às 12:31 PM 0 comentários
quinta-feira, outubro 03, 2002
descoberta inútil: o Ziraldo aniversaria do mesmo dia que o Alex (meu irmão mais velho).
Onde eu queria estar
Mariannita Luzzati, minha mais recente fonte de pesquisa (dês de 10 min. atrás), está expondo na Galeria Thomas Cohn, SP. Vale à pena essa exposição, desde que se possa pagar a passagem.
Compare as semelhanças dela comigo na aplicação da tinta (com veladuras secas) e no uso da cor:
Lucy e Luiz, de Mariannita.
Desinterrupção, minha.
Postado por allan de lana às 12:18 PM 0 comentários
quarta-feira, outubro 02, 2002
Divagações acerca da arte de mim mesmo e convite
Para mim, que necessito de transcender a arte como terapia ocupacional - o que não me foi prescrito por nenhum terapeuta - questionando, produzindo e buscando respostas teórico-práticas, toda expressão nasce como a história mais ou menos em sua ordem cronológica. É uma pena eu não ter um scanner aqui do lado para desenhar o que estou pensando e postar em seguida, mas, intelectualmente (embora eu não seja, nem queira ser classificado como intelectual), evidências apontam para o fato de que as transformações históricas da arte passam por questões evolutivas do próprio indivíduo artista e a documentação dessa história permite a evolução rápida de um pensamento primitivo ao posicionamento atualizado, ou contemporaneizado.
Encontro nessa observação um ponto em comum com o tratamento da linguagem como ideologia de Fiorim: a ideologia expressa em um discurso (e uma obra artística é um discurso) aparece na superfície deste, mas as suas aglutinações e pontos originais encontram-se no nível profundo de sua formulação. Questionar e buscar respostas formam, então, um par de construção da ideologia, ou seja, de escolha dos elementos discursivos a partir do tecido da linguagem, que passa pela busca de outros discursos acerca dos mesmos questionamentos. Por isso, dizemos que não existe formulação e organização de conhecimento sem que haja citações, ainda que suas origens não sejam explicitamente citadas. Como falo sobre mim mesmo, a utilidade dessa observação é constatar que minhas perguntas acerca de minha própria produção, ainda lenta e pequena, só são respondidas em virtude de o encaminhamento dos humanos de um estado primitivo a outro mais evoluído ser semelhante. No entanto, um recém nascido é acelerado pela sociedade em que vive, um artista é acelerado pela arte e pela sociedade as quais vive.
Essas questões, que podem parecer inúteis, embora sirvam de motivação às metodologias de pesquisa científicas, têm sido saudáveis ao me fazerem perceber que pela velocidade com que me acelerei enquanto "artista" (no sentido prático, pelo menos, mas sempre sustentado pelo sentido teórico) nesses últimos três anos em que me dedico à pintura e, sobretudo, nos últimos meses (talvez uns oito), durante os quais realizei sérios questionamentos acerca da falsidade e da veracidade da arte (ainda que ambas sejam verossímeis), minha evolução "histórica" foi bastante satisfatória. É possível dizer que, embora meu organismo acumule dúvidas, relacionadas ainda a diversas épocas, que não foram respondidas, presencio uma proximidade cada vez maior com os questionamentos atuais - talvez faltem uns 50 anos para eu poder-me considerar aqui onde estou. Atualmente, proponho que nos aglutinemos, artistas e sonhadores, para que consigamos suprir um pouco da vontade que o cotidiano tem de pausar para o descanso e repensar a sua desordem, o que a arte nossa pode conceber invadindo-o com miniaturas ao invés de engasgá-lo ainda mais com farelos arquitetônicos. Essa é uma postura semelhante ao método negro de não-violência, influenciado por Gandhi e Mandella e funciona bem. Todos estão convidados.
Postado por allan de lana às 12:48 PM 0 comentários
terça-feira, outubro 01, 2002
Dois do Fluxus
"Pensar é esculpir." (Joseph Beuys)
instalação de Nam June Paik, o pai da vídeo-arte.
- Pausa para a estupefação política -
Ontem o país todo tomou conhecimento do envolvimento do atual governador do Distrito Federal com os irmãos Passos, quando alguns jornais divulgaram trechos de suas conversas telefônicas com Pedro Passos, nas quais corrogorava com a grilagem de terras da UNIÃO. Mas quem não foi rápido no gatilho ficou sem a notícia completa, já que o desembargador Jirair Meguerian, do TRE proibiu a veiculação dos diálogos em âmbito nacional.
Ontem, foi encaminhado à Câmara Distrital um pedido de impeachement, encabeçado por Rodrigo Rollemberg, ao Joaquim. Acredita-se que o pedido será arquivado, já que o acusado tem maioria na Câmara e é mestre em mágicas como a que aconteceu com grande parte das urnas eletrônicas falsas que comprometiam o governador apreendidas pela Polícia Federal, elas simplesmente foram destruídas, sem nenhuma investigação.
A mesma maioria mágica que certamente sempre votará em favor do crime organizado na direita governista vetou a pouco tempo um pedido de CPI ao governador Roriz, que não passou tanto aperto nem em 2000, quando um outro pedido de impeachment, por improbidade administrativa, foi levado à Câmara Legislativa, causando grande confusão e desordem entre seus aliados.
Postado por allan de lana às 10:55 AM 0 comentários
